Curitiba - A disputa eleitoral na Capital paranaense pode ter influência na formação do quadro que disputará o governo do Paraná em 2010. A opinião é do cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele se refere especialmente ao atual prefeito de Curitiba, Beto Richa, pré-candidato à reeleição pelo PSDB. ‘‘Dependendo do resultado, se ele ganhar, e em primeiro turno, é um nome que se coloca como forte candidato ao governo do Estado. Por outro lado, se não for bem nas urnas, ele se fragiliza para 2010 e abre espaço para nomes como o do Osmar Dias (PDT), que já disputou o pleito anterior’’, analisa. A homologação da candidatura do tucano ocorreu ontem em convenção.
  A situação do atual prefeito de Curitiba, avalia Oliveira, é ‘‘confortável’’ num primeiro momento porque conta com índices positivos de intenção de voto e em relação aos quatro anos de gestão. Por outro lado, há desafios. ‘‘É a primeira vez que o Beto começa um processo eleitoral com altos índices de aprovação. O desafio agora será manter seus índices, que tendem a cair com as críticas da oposição. E o comportamento do eleitor a partir daí será uma incógnita’’, prevê. Oliveira acrescenta que Beto chega com uma ‘‘aliança forte’’, que agregou nomes que disputaram a última eleição, a exemplo de Rubens Bueno, presidente do PPS no Paraná.
  Mas há espaço para a oposição, analisa Oliveira. ‘‘Na performance das últimas eleições, ficou claro que existe um voto oposicionista, que não é representado nas pesquisas realizadas até agora. E o principal nome da oposição é o da Gleisi’’. Pré-candidata pelo PT, Gleisi Hoffmann vem da sua primeira eleição com índices positivos. Apesar de não ter conquistado a cadeira no Senado, em 2006, em Curitiba ela recebeu mais votos do que Alvaro Dias (PSDB), eleito para o posto. ‘‘É um nome novo na política do Paraná, em ascenção, e vem com o apoio de Brasília’’. Gleisi é casada com o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, e pertence ao PT do presidente Lula.
  O PMDB, apesar de ser a legenda do governador do Paraná, Roberto Requião, chega para a disputa ‘‘em crise’’. O ex-reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Moreira, pré-candidato da sigla, ‘‘está sem os puxadores de votos’’, avalia Oliveira. ‘‘Apesar de contar com o apoio de Requião, gente como o deputado estadual Mauro Moraes e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que têm densidade eleitoral, não devem apoiá-lo’’, afirma Oliveira.
  Os demais candidatos na disputa majoritária, avalia ele, devem ter um ‘‘papel secundário’’ nas eleições. ‘‘São partidos que se lançam com a intenção de auxiliar as candidaturas dos seus candidatos a vereador. Ricardo Gomyde (PCdoB), por exemplo, é conhecido, mas seu partido não tem dinheiro. Já o PSOL vem com seu perfil de esquerda. É uma candidatura de protesto, de demarcação ideológica’’.

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