Eleição para prefeito atrai mais de 20 deputados estaduais
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segunda-feira, 07 de janeiro de 2008
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Por ser um ano eleitoral, 2008 promete ser atípico na Assembléia Legislativa do Paraná. Levantamento informal realizado pela reportagem revela que dos 54 deputados estaduais, mais de 20 estariam se preparando para disputar o cargo de prefeito nas suas respectivas bases eleitorais. Para o cientista político Antônio Celso Mendes, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, apesar do interesse por um cargo no Executivo municipal soar natural nos corredores da Assembléia Legislativa, um ano eleitoral ''sem dúvida alguma traz algum impacto'' aos trabalhos da Casa.
Mendes explica que os deputados estaduais inscritos na disputa podem priorizar, por exemplo, projetos de lei que apenas garantam ''repercussão momentânea''. Em 2008, a TV Sinal (instalada no último dia de sessão plenária em 2007) também deve afetar o andamento dos trabalhos, especialmente por ser tratar de um ano eleitoral. ''Alguns vão procurar incessantemente a mídia'', comentou ele.
O cientista político também chama a atenção para outro fato. À frente de um cargo eletivo, um candidato teria ''sempre mais chances'' de se eleger para outro cargo. ''O que a gente observa hoje é o 'carreirismo' de eleição. A política se tornou uma espécie de atividade rentável. A tendência é que eles se 'eternizem' no poder. Precisamos de uma reforma política, capaz de criar mecanismos para impedir que sempre os mesmos tenham mais chances de ganhar'', defende.
Para a deputada estadual Rosane Ferreira (PV), pré-candidata à Prefeitura de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), a reeleição deveria ser proibida, pois um candidato que já ocupa um cargo eletivo acaba de fato prejudicando seu trabalho no posto, em função do envolvimento na campanha eleitoral. ''Não podemos ser hipócritas. É claro que o ano eleitoral atrapalha os trabalhos na Casa. Inclusive mesmo aqueles que não são candidatos acabam também envolvidos porque têm que apoiar a candidatura de alguém'', afirmou.
Além de acabar com a reeleição, ela propõe que as eleições sejam coincidentes, isto é, realizadas no mesmo ano. Atualmente, os pleitos são em anos diferentes - um para eleger vereador, prefeito e vice-prefeito (caso de 2008) e outro para definição do presidente da República, governador do Estado, senador, deputados estadual e federal (prevista para 2010). ''A disputa não é de quatro em quatro anos, é de dois em dois anos, o que interfere negativamente nos trabalhos de quem já exerce um mandato. Não é bom para a sociedade''.
O deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMDB), pré-candidato à Prefeitura de Londrina, também defende a realização de apenas um ano eleitoral durante a duração de um mandato. ''As eleições não coincidentes atrapalham os trabalhos sim. O parlamentar acaba priorizando a sua candidatura. E embora ele acabe ajudando mais a cidade que ele representa (em função do envolvimento eleitoral), um deputado estadual deve atender o Estado inteiro'', argumenta.
Cheida lembra, entretanto, que a campanha eleitoral fica intensa apenas entre 5 de julho (data do registro dos candidatos no cartório eleitoral) e 5 de outubro (primeiro turno da eleição). ''Não é um ano perdido'', reforça ele. Mas a movimentação política em torno do assunto já começou. Na Assembléia, a influência da eleição de 2008 foi sentida já no final do ano passado, quando propostas que poderiam afetar o bolso do cidadão, de autoria do Executivo, acabaram sofrendo resistência na Casa, mesmo entre integrantes da base aliada.
Também pré-candidato à Prefeitura de Londrina, o deputado estadual Antonio Belinati (PP) disse que pretende comparecer a todas as sessões plenárias de 2008. ''Os trabalhos só vão ficar prejudicados se o candidato estiver em 'desespero eleitoral', porque as sessões plenárias não atrapalham a campanha política. Tem tempo suficiente para se dedicar à eleição. Se o candidato achar que vai precisar faltar, o correto é pedir licença''.
Belinati lembra ainda que, durante um período eleitoral, geralmente o presidente da Assembléia diminui o número de sessões plenárias durante a semana. Ele destaca também que o fato do parlamentar marcar presença no plenário até pode ajudá-lo na disputa. ''Se o candidato faltar muito vai haver um desgaste''.
Para a Prefeitura de Londrina, além de Cheida e Belinati, outros quatro nomes - todos deputados federais - também estão sendo ventilados para a disputa: Alex Canziani (PTB), André Vargas (PT), Barbosa Neto (PDT) e Luiz Carlos Hauly (PSDB). Na Câmara em Brasília, dos 30 deputados federais pelo Paraná, quase um terço deve se candidatar a algum cargo de prefeito.


