Eleição no TJ mobiliza 120 magistrados no PR
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012
José Lazaro Jr. <br> <br> Reportagem Local 
Curitiba - Os magistrados conhecerão hoje o novo presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Quatro candidatos disputam a vaga ocupada por Miguel Kfouri Neto desde 2010, e terão pela frente uma eleição disputada entre os 120 desembargadores aptos a votar na formação da próxima direção do TJ. Quem ganhar o Judiciário Estadual assume um dos maiores orçamentos públicos do Paraná, fixado em R$ 1,5 bilhão só para 2013.
Regina Portes, Guilherme Luiz Gomes, Clayton Camargo e Sérgio Arenhart concorrem pela presidência do TJ. O vencedor deverá conquistar maioria absoluta entre os magistrados, o que significa ao menos 61 votos. No caso de ninguém obter esse resultado na primeira apuração, os dois candidatos mais bem votados disputam entre si um ''segundo turno'', realizado imediatamente após a divulgação do anterior. Na última eleição, há dois anos, Arenhart perdeu para Kfouri, ficando em segundo lugar na corrida pela presidência. Agora em 2012 ele foi o último a registrar-se na corrida.
Primeira mulher a canditar-se ao cargo máximo do TJ, Regina Portes ficou mais conhecida no ambiente político por ter suspendido investigação contra o atual governador Beto Richa (PSDB), então prefeito da capital, acusado de ''caixa 2'' na eleição de 2008. Durante o período em que presidiu o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), coube a ela julgar liminarmente pedido do PSDB, que paralisou a acusação enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) respondia a recurso judicial. Como Beto Richa renunciou para assumir o governo, foi excluído do caso por perda de objeto.
Guilherme Luiz Gomes é o ''caçula'' da disputa, por ser o desembargador com menos tempo de tribunal entre os quatro candidatos. Homem de confiança do atual presidente do TJ, Gomes é o responsável pela estatização dos cartórios no Paraná. Também já foi presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), na década de 1990, mesmo cargo que deu popularidade para Kfouri Neto. Primeiro colocado na lista de antiguidade, Clayton Camargo, pai do deputado estadual Fábio Camargo (PTB), também deseja a vaga. Ele começou no Ministério Público, vindo para o TJ na vaga do Quinto Constitucional.
Existem disputas pelos outros cargos de direção do TJ. Haverá competição para a primeira e segunda vice-presidência, para a vaga de corregedor-geral e para o Conselho da Magistratura. ''Os próximos dirigentes terão em mãos uma tarefa bastante trabalhosa, que é a de acompanhar a evolução das mudanças havidas no novo Poder Judiciário'', comenta Fernando Ganem, magistrado que atualmente preside a Amapar. Em material divulgado pela associação, ele disse que a instituição não tomou partido no pleito, mesmo fazendo elogios pelo investimento feito na expansão no primeiro grau.
''Agora não podemos perder de vista o segundo grau'', declarou o presidente da Amapar. ''A tendência natural é a de que aumentem os recursos e o segundo grau fique assoberbado. Essa situação merece atenção especial da cúpula diretiva, para que os polos não se invertam e a prestação jurisdicional acabe sendo prejudicada justamente pela falta de estrutura na instância superior'', alerta Ganem.


