Agência Estado
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DilemaTemer e Genoíno: abrir leque de alianças ou não, o dilema petistaMais do que a escolha entre José Dirceu ou Milton Temer para a presidência do PT, o Encontro Nacional do partido, que começa hoje no Rio, vai decidir uma questão crucial não apenas para o PT mas para a oposição ao governo Fernando Henrique: a política de alianças a ser adotada pelo mais importante partido da esquerda no Brasil. Está nas mãos dos 553 delegados a aprovação deste ponto, que o próprio presidente do PT, José Dirceu, caracteriza como ‘‘de vida ou morte’’ - e em consequência, a definição da candidatura à Presidência da República de Luiz Inácio Lula da Silva.
Para disputar as eleições em 1998, Lula quer uma aliança que una os partidos de centro-esquerda. Até o momento, ele faz suspense se vai entrar na corrida presidencial, o que vem possibilitando o surgimento de nomes alternativos, como o do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes e do ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro.
Genro propõe que o encontro nacional deve apresentar oficialmente a candidatura de Lula. ‘‘Se a candidatura Lula não se definir na convenção, vai se abrir um vácuo’’, afirmou o ex-prefeito. ‘‘O nome do Lula será uma consequência espontânea do encontro e se ele não disser isso claramente vai ficar implícito que não há qualquer outro candidato com a sua densidade eleitoral.’ Para ele, a candidatura vai balizar a política de alianças. A posição de Genro choca-se com a do próprio Lula e com a de José Dirceu, que defendem a elaboração de um programa comum entre os partidos da frente antes da escolha do candidato. ‘‘Não é pelo fato de o Ciro Gomes ter dito que será candidato que nós temos de colocar o carro na frente dos bois e lançar correndo a candidatura Lula’’, declarou Dirceu.
A união das forças de centro-esquerda, embora defendida pelos integrantes da Articulação, entre eles Dirceu e Lula, não está dita com todas as letras na tese apresentada pela corrente para o encontro. As dez teses que serão apresentadas pelas oito chapas que concorrem à formação do novo Diretório Nacional trazem divergências que, postas por escrito, não parecem tão grandes - mas, na prática, podem dividir a proposta da frente ampla contra Fernando Henrique e o neoliberalismo.
A tese da Articulação prega a formação de uma frente de oposições que possa ‘‘exercer uma forte atração sobre as dissidências de outros partidos, sobretudo o PMDB’’. Segundo Dirceu, o PT precisa ampliar a aliança que foi feita nas eleições de 1994 sob pena de sofrer nova derrota eleitoral. Milton Temer, que é candidato da chamada esquerda e dos independentes, rechaça a argumentação da corrente majoritária. Para ele, mesmo que os setores de centro e até de direita que fazem oposição ao governo Fernando Henrique se juntem a esta frente, não vão deixar que o PT ‘‘realize um programa voltado para os interesse populares’’.
Na convenção nacional será aprovada apenas uma tese, intitulada pelos militantes de tese-guia, pois ela definirá os rumos da nova direção nacional. Ela dará abertura, ou não, para que a legenda lance um candidato à Presidência aliado a grupos de centro-esquerda na corrida presidencial e na disputa nos Estados. Mesmo que um grupo, seja ele ligado a Dirceu ou a Milton Temer, consiga a maioria para aprovar a sua tese, as facções derrotadas ainda poderão fazer emendas ao texto escolhido com objetivo da anular as principais divergências. O embate entre as diferentes alas para a escolha da tese-guia ocorrerá na sexta-feira e, no sábado, os 550 militantes vão apreciar as emendas.
A convenção será aberta oficialmente hoje às 19h e deverá contar com a presença de líderes de outros partidos, entre eles o presidente nacional do PDT, o ex-governador Leonel Brizola, quando será feito um ato de homenagem ao sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, a Paulo Freire e a Che Guevara.

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