Imagem ilustrativa da imagem Eleição na Câmara indica reação dos grandes partidos
| Foto: Flávio Soares/ABr
Mesmo não tendo apoio claro de Temer, Rodrigo Maia, com seu perfil conciliador, pode ser considerado como um aliado e não como um inimigo do presidente interino



A eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidir a Câmara dos Deputados é uma reação dos grande partidos ao "Centrão", ao "baixo clero", aos partidos pequenos, que, sob a liderança do ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desorganizaram as relações institucionais entre Executivo e Legislativo. A análise, de professores ouvidos pela FOLHA, aponta também que a tendência é de pacificação da relação entre os poderes.
Maia foi eleito no segundo turno com apoio de partidos como PPS, PSB, PSDB e até do PT, o que, para o professor de Ciência Política da Uninter, Luiz Domingos Costa, demonstra claramente que a disputa foi além do "pró-Dilma ou pró-Temer". "Foi, sim, uma eleição dos grandes partidos versus os pequenos partidos", pontua. "Esses partidos se reorganizaram para retomar o comando da Câmara dos Deputados, que foi para as mãos do Eduardo Cunha, deste "Centrão", o que desorganizou demais as características partidárias da Câmara. É uma velha elite política que quer retomar o comando da Casa".
O professor de sociologia da Universidade Mackenzie Rodrigo Augusto Prando concorda com a análise, lembrando que antes mesmo do segundo turno o próprio candidato do "Centrão", Rogério Rosso (PSD-DF), deputado que teve apoio do presidente interino Michel Temer (PMDB), sugeriu o diálogo. "O próprio Rosso procurou o Maia para falar que independentemente de quem fosse eleito seria necessário retomar o diálogo para tentar dar dinamismo à Câmara", menciona Prando.
Para Costa, mesmo pertencendo a um partido neoconservador, Maia é uma escolha melhor do que a de um deputado do "Centrão", principalmente, em razão da falta de transparência ideológica. "Não se sabe bem se esses partidos pequenos, que estão proliferando, querem só alimentar os seus ânimos fisiológicos, com cargos, ou, talvez, algumas partes neoconservadores, mas isso sem a menor transparência, sem que o eleitorado, a opinião pública possa discernir claramente", avalia. "Para a organização político-partidária da Câmara é melhor". O professor acrescenta que "o eleitor de esquerda seguramente está horrorizado" com a eleição de um deputado do DEM, mas, assegura que a ideologia claramente definida deverá facilitar o entendimento sobre as posturas no Legislativo.
Os dois analistas consultados pela reportagem também consideram que, apesar do candidato do governo ter sido derrotado, tal fato não deverá pesar na relação entre Câmara e Planalto, diferentemente do que ocorreu na eleição de Cunha, quando o candidato explicitamente apoiado pela presidente afastada Dilma Rousseff, Arlindo Chinaglia (PT-SP), sofreu derrota acachapante.
Costa acentua que Temer, diferentemente de Dilma, não atuou claramente em favor de Rosso, mas fez todo o possível para que o candidato mais ligado ao PT, Marcelo de Casto (PMDB-PI), não fosse vencedor. "Temer fez jogo duplo; atuou nos bastidores para desmontar essa campanha (de Castro). Então, não é uma derrota tão sonora no caso do Temer". Prando lembra que, além disso, o novo presidente da Câmara tem perfil conciliador e "está muito afeito às teses econômicas do governo Temer". "Maia é tido como um aliado e não como um inimigo. A chance de pacificação é grande".

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