Eleição na Câmara depende de acomodação política
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
A eleição de Antonio Belinati (PP) no último domingo ''embolou'' a disputa pela presidência na Câmara Municipal. O candidato derrotado à Prefeitura, Luiz Carlos Hauly (PSDB), já havia obtido a adesão de mais de 50% dos novos parlamentares e fortalecido o nome do vereador reeleito Roberto Kanashiro (PSDB) na disputa. Belinati tem, declaradamente, o apoio de apenas três vereadores - todos de seu partido: Marcelo Belinati, Sandra Graça e Renato Lemes. Apesar disso, a análise que se faz na Câmara é que sua vitória dificultou a eleição de um presidente tucano. Estão em jogo também a destinação da vice-presidência, três secretarias e as comissões permamentes. A definição dos nomes deve caminhar, passo a passo, com a acomodação das forças políticas entre a base de apoio e a oposição à gestão do prefeito eleito.
Kanashiro reconhece que a eleição de Belinati alterou a correlação de forças envolvida na disputa pela presidência. ''A gente mantém a proposta da presidência, mas após o segundo turno vamos ter que avaliar as intenções dos vereadores ligados ao prefeito eleito'', afirmou. Kanashiro disse que está montando uma ''proposta'' para apresentar aos colegas pepistas, mas também deve trabalhar para manter unida a base de vereadores que apoiou Hauly no segundo turno. O vereador sinalizou, também, que não pretende atuar de forma radical para impedir a governabilidade da próxima gestão na Câmara. ''Vamos fazer oposição com a firmeza necessária, mas mantendo o diálogo possível. Seremos vigilantes'', afirmou.
A vereadora Sandra Graça, cujo nome já é ventilado para disputar a presidência, não declinou da possibilidade. Mas ela também não descarta montar uma composição para fortalecer a base do prefeito eleito. ''Se for vontade do pessoal, podemos colocar nosso nome para apreciação. Mas, de repente, podemos ter um nome de consenso. Não gostaria que fosse nada rancoroso. Temos que acabar com esse negócio de camiseta preta e nariz vermelho'', disse - em referência a protestos anunciados domingo por correligionários de Hauly. Apesar do tom de cautela, ela não acredita que um tucano venha a assumir a presidência da casa. ''Não sei se o PSDB teria um nome forte para a presidência. Mas temos vários outros partidos na Câmara'', disse.
Outro elemento que deve esquentar a escolha da nova direção é a renovação de 70% dos vereadores na eleição do último dia 5. O vereador eleito Tito Vale (PMDB) acredita que os parlamentares que estão chegando em 2009 e que não passaram pelo desgaste do escândalo de corrupção desse ano terão mais chances de resgatar a credibilidade perdida. ''Acredito que se houve uma renovação tão grande, quem está entrando tem mais legitimidade.'' Vale já colocou seu nome para a disputa - alegando que pode fazer uma gestão independente e construtiva. ''Como fui eleito sozinho no meu partido, teria a independência que o cargo exige. A Câmara não tem que definir uma linha de oposição ou situação, tem que ter independência'', disse.
O vereador reeleito Roberto Fu (PDT) discorda frontalmente da tese da ''legitimidade dos novos''. ''Não menosprezo quem chega agora, mas acho que tem pessoas na Câmara com moral e condições de tocar a presidência com muita competência. Até pela experiência, acho que um vereador reeleito tem mais chances de conduzir a Câmara'', disse.


