Marcada para terça-feira, a escolha do novo líder da bancada do PSDB na Câmara será pontuada pela disputa de espaço entre o governador do Ceará, Tasso Jereissati, e o ministro da Saúde, José Serra, na definição do candidato do partido à Presidência da República em 2002.
Magoado com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com a cúpula da legenda, que não impediram que o maior desafeto político dele, o senador Sérgio Machado (PSDB-CE), levasse a liderança tucana no Senado, Tasso poderá reagir na Câmara. Até agora, a disputa pelo lugar deixado pelo deputado Aécio Neves (PSDB-MG) está polarizada entre os deputados Jutahy Magalhães (PSDB-BA) e Nárcio Rodrigues (PSDB-MG).
Uma terceira via está sendo preparada: a deputada Yeda Crusius (PSDB-RS) está pronta para disputar a liderança, conforme ela admitiu. ‘‘Eu quero atuar no PSDB como formuladora do projeto do partido para 2002 e, por isso, vou à luta’’, afirmou.
Fontes do Planalto reconhecem que a eleição de Jutahy – favorito na disputa – poderia precipitar ainda mais o jogo sucessório de 2002 dentro do PSDB, em favor de Serra e restringindo as chances de Jereissati. Jutahy é identificado como um fiel aliado de Serra, de quem recebeu um forte apoio para se recompor com a legenda, depois das eleições de 1994.
Candidato a governador da Bahia, Jutahy trabalhou contra o PSDB nacional, ao se aliar com o então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro da Saúde ficou muito fortalecido com a vitória do senador Jader Barbalho (PMDB-AP) na sucessão do Senado, impulsionando a aliança entre PMDB e PSDB.
Outro fato que leva o Planalto a olhar com cautela para a candidautra de Jutahy é que a escolha dele seria vista como uma afronta ostensiva ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Inimigo de ACM, Jutahy foi escalado recentemente para responder aos ataques do senador baiano ao presidente. Mas a relação entre ACM e o Planalto ainda não está definida. ‘‘Todas essas coisas são bobagens, e já tenho o apoio da maioria do partido’’, rebate Jutahy.

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