Curitiba - O presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (DEM), confirmou ontem que não ocorrerão sessões plenárias na semana que antecede a eleição, ou seja, de 29 de setembro a 5 de outubro, dia do pleito. A próxima semana - de 22 a 28 de setembro -, também está ameaçada, mas Justus não confirma se o período será de folga para os deputados. ''Na última semana (antes da eleição) não há como... Mas eu temo também pelo quórum nas sessões da semana que vem'', admitiu. A possibilidade de ''queimar'' trabalhos do Legislativo, conforme adiantou ontem a FOLHA, foi tomada após uma reunião da Mesa Executiva.
A falta de quórum suficiente para a votação de matérias é uma questão enfrentada pelas casas legislativas e ocorre em função da participação dos parlamentares nas campanhas eleitorais dos correligionários, quando não são eles mesmos os candidatos a um cargo eletivo. Tanto que o ''recesso branco'' já foi aprovado pelo Congresso Nacional. A falta de quórum no Legislativo paranaense é discutido desde o início da campanha eleitoral, em julho, mas nos últimos 15 dias o debate se intensificou depois que sessões foram suspensas porque contavam com menos de 28 dos 54 deputados, o que inviabiliza a votação.
Assim como ficou definido em Brasília, no Paraná não haverá desconto no subsídio mensal do deputado por conta da folga. A redução salarial por conta da ''folga'' nem chegou a ser cogitada. ''Não tem desconto. Já votamos mensagens relevantes, do Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas, do Governo do Estado. Não haverá prejuízo'', garantiu Justus.
Dos 54 deputados estaduais, 13 são candidatos ao pleito. Entre os concorrentes, seis se licenciaram da Casa para se dedicarem exclusivamente à campanha eleitoral. Mas, como se trata de uma licença inferior a 120 dias, não há a substituição por um suplente. E os outros 48? Para o líder do Governo do Estado na Casa, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), o ''período é complexo''. ''Alguns estão vindo nas segundas, outros nas terças, outros nas quartas. Alguns já desapareceram daqui'', afirmou o peemedebista, em referência aos deputados que, apesar de não estarem diretamente na disputa eleitoral, colaboram com a campanha de aliados.
Aparentemente, o ''recesso branco'' é defendido pela maioria da Casa. Para o líder da oposição interino, Élio Rusch (DEM), a folga beneficia ''todos os parlamentares''. Rusch explica que os aliados ''exigem a presença dos deputados'' nas suas campanhas. ''80% da minha votação na última eleição vem de fora do meu município (Marechal Cândido Rondon). E tenho mais de 50 municípios para atender. Não é justo não ir lá.''
O ''recesso branco'' é a melhor saída na opinião de Luiz Carlos Martins (PDT): ''É melhor do que ficar nesse faz-de-conta. O povo compreende a situação''. Já para Osmar Bertoldi (DEM), cuja base eleitoral fica na Capital, a folga ''não faz diferença''. ''Deve fazer diferença para o deputado do interior'', acentou ele. Bertoldi disse, entretanto, que, se se for para ter ''sessão esvaziada'', ''nem adianta''. ''Para que serve uma sessão improdutiva?''

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