Curitiba - Está aberta a temporada de articulações para os interessados na sucessão do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). Para eles, vale tudo na busca por um espaço para concorrer. PMDB, PT, PSDB, PFL, PTB e PDT, os partidos com maior densidade eleitoral na Capital, usam as armas que têm para dar visibilidade e consistência aos nomes dos pretendentes, o que não é tarefa fácil diante da resistência popular que está se criando cada vez mais aos políticos.
Os deputados estaduais Angelo Vanhoni (PT) e Neivo Beraldin (PDT), o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), e o vereador da capital, Osmar Bertoldi (PFL), ao que tudo indica, têm candidaturas a prefeito aparentemente asseguradas, já que são tratados como pré-candidatos. O deputado federal Gustavo Fruet (PMDB) e o deputado estadual Rafael Greca (PMDB), também interessados, brigam pelo direito de concorrer.
Greca, para complicar a crise política que hoje vive o PT e o PMDB municipais, encaminhou ontem para a direção estadual do PMDB carta oferecendo seu nome. Ele também integra a ala peemedebista que é contra a aliança do PMDB com o PT tendo Vanhoni como cabeça de chapa. O presidente estadual do PMDB, deputado estadual Dobrandino da Silva, disse que liberou Greca para lutar pela viabilização de seu nome. ''Também defendo a candidatura própria'', disse.
Gustavo Fruet reinvindica há meses a condição de pré-candidato, porém o governador Roberto Requião (PMDB), o cacique do PMDB no Paraná, tem sinalizado maior interesse numa composição com o PT, partido que lhe deu apoio nas eleições para o governo, em 2002.
Na carta, Greca manifesta disposição de concorrer novamente à prefeitura, ''estimulado pelo apoio de companheiros do PMDB e pelas vozes das ruas da cidade''. O deputado também pede a inclusão do seu nome no horário eleitoral gratuito, na região de Curitiba, a partir deste mês. A dificuldade de Greca, além da preferência de Requião por Vanhoni, é que seu nome ainda está atrelado, na memória do eleitor, ao grupo do ex-governador Jaime Lerner (PSB), a quem serviu durante anos, antes de migrar para o PMDB.
Vanhoni, que ainda não tem um sim formal do PMDB para apoiá-lo, mas que já conseguiu eliminar a idéia de prévias no PT, também enfrenta uma crise doméstica. Há petistas, dentre os quais os vereadores de Curitiba Paulo Lamarca e Adenival Gomes, que não toleram a idéia do pré-candidato do PT firmar aliança que poderia ser considerada fisiológica com o PTB, comandado por Íris Simões. Nas eleições de 2000, quando Vanhoni foi derrotado no segundo turno por Cassio, o PTB era aliado do PFL. Uma ala do PT inclusive acusa o PTB de envolvimento nas denúncias de caixa 2 que correm na Justiça Eleitoral.
Para evitar coligações indesejadas, com partidos ideologicamente conflitantes, como no caso do PT, o pré-candidato a prefeito do PSDB já tomou as precauções. Beto Richa, que não tem o apoio de Cassio, fez o comando estadual, ao qual preside, baixar anteontem uma resolução fixando regras para a formação de alianças com o PSDB em todo o Paraná. Os dirigentes tucanos invocam o artigo 81 do Estatuto do PSDB para controlar os passos dos militantes espalhados pelo interior. Pelo artigo, todos os municípios deverão solicitar prévia autorização.
Osmar Bertoldi, nome preferido pela mulher do prefeito de Curitiba, primeira-dama Marina Taniguchi, está há poucos dias na posição de pré-candidato. Ontem passou o dia em contato com lideranças nacionais do PFL em Brasília para inteirar-se no metier. A sua indicação, que tem o apoio do PFL estadual e curitibano, vinha sendo fecundada há meses. Tornou-se pública com o mal-estar protagonizado entre Cassio e Beto, que, na última interinidade, há 20 dias, desautorizou o aumento da tarifa de ônibus determinado pelo prefeito.

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