A campanha eleitoral em Florestópolis, na Região Metropolitana de Londrina (RML), extrapolou o campo da política e atingiu as relações familiares entre pai e filho que, em lados diferentes na disputa pelo voto, agora se enfrentam também na Justiça. Impugnado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), Lucas Bocato (PTB) acusa o pai, o vice-prefeito, Elio Bocato (PRP), concorrente à reeleição, de tentar prejudicá-lo, impedindo a sua candidatura para vereador.
Segundo a legislação que impede a candidatura de parentes ''de prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito'', Lucas estaria inelegível porque Elio ocupou, interinamente, a chefia do Executivo de 21 de junho a 5 de julho deste ano. ''Ele falou pra mim que ia fazer isso para impedir a minha candidatura'', disse o filho. Por causa da desavença os dois não se falam há cerca de um mês.
Apesar de demonstrar mágoa com o pai, Lucas atribui a atitude a uma suposta estratégia do prefeito Onício de Souza (DEM). ''Não sei porque eles fizeram isso, mas acho que tem influência do prefeito.'' Questionado se não seria melhor disputar a eleição ao lado do pai, num partido da situação, ele afirmou que não teria espaço. ''Nunca senti o apoio dele para sair candidato na coligação da base'', lamentou.
Em sua defesa, juntada ao processo que corre na Justiça Eleitoral de Porecatu, Lucas afirma que ''o pai se utilizou de subterfúgio legal, a fim de prejudicar-lhe a candidatura''. Segundo o advogado Maurício Carneiro, a Lei Orgânica do Município determina que a convocação do vice deve ocorrer apenas quando o titular se ausentar por mais de 15 dias, ''o que não ocorreu''. Carneiro disse que ''temos provas, inclusive testemunhais, de que o prefeito continuou na cidade, atuando da mesma forma, até usando o carro da prefeitura''.
O pai não esconde a insatisfação com a postura do filho, mas nega ter assumido a prefeitura interinamente apenas para impedí-lo de se candidatar na chapa da oposição. ''Ele sair candidato contra mim é errado'', dispara Elio Bocato. Quanto à suposta articulação para ocupar a vaga do prefeito, o vice contesta. ''Ele teve que se afastar e eu assumi. O prefeito nunca me pediu para fazer isso.'' Elio não se lembra se o período de afastamento estava em conformidade com a Lei Orgânica.
Na avaliação do pai, Lucas pode ter sido influenciado para agir contra ele. ''Fizeram cabeça dele para trabalhar contra mim. Eu sempre fiz o que pude pra ele, acho que não é justo o que ele fez'', reclamou. A dificuldade de entendimento entre pai e filho, contudo, não é recente, pois, conforme o próprio pai, Lucas já teve frustada uma tentativa de concorrer. ''Na eleição passada ele queria sair pela nossa coligação, mas o avô dele ia ser candidato e não daria para os dois disputarem.'' Segundo Elio, neste ano o filho poderia ter saído na situação, ''mas fui surpreendido pela decisão dele''.
A reportagem tentou falar com o prefeito de Florestópolis, mas o celular estava desligado.

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