Nos dois últimos anos, o estremecimento da relação entre a Prefeitura de Londrina e os servidores municipais ficou explícito ao cidadão comum em pleno desfile das comemorações pelo 7 de Setembro. Os períodos foram marcados por greves - 31 dias em 2005, 106 dias em 2007-, e em ambos a ausência mais notada no evento cívico foi a da autoridade máxima do Município, o prefeito Nedson Micheleti (PT). No desfile pelos 185 anos de independência política do País, ontem, quem foi à avenida Leste-Oeste novamente não viu o prefeito - tampouco qualquer indício mais consistente de manifestação. (Veja a cobertura dos desfiles de 7 de setembro em Londrina e Curitiba no caderno Cidades)
Desde o início do evento, um cinegrafista do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv) esperava juntamente com outros profissionais da imprensa, em frente ao palanque de autoridades, mas ninguém identificado pela entidade apareceu. Pela administração, Nedson foi representado pela secretária Municipal de Educação, Carmem Sposti; no transcorrer da manhã, subiram também o chefe de gabinete do prefeito, Ródne Lima, e a secretária municipal do Idoso, Maria Cristina Coelho. Dessa vez, o Ministério Público (MP) também teve um representante, o promotor Cláudio Esteves.
O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, afirmou que cerca de 80 servidores participariam de uma manifestação durante o desfile de ontem, para lembrar a população dos sete anos em que a categoria segue sem reposição salarial. Contudo, o processo eleitoral para eleger a diretoria do sindicato - nas próximas segunda e terça-feira -, justificou, teria mudado os planos na noite que antecedeu o desfile.
''Uma das chapas usou um veículo de comunicação para fazer denúncias infundadas de irregularidades na atual diretoria, e isso fez com que desviássemos o foco para estudar, com nosso jurídico, o que será feito'', resumiu o dirigente, que concorre à reeleição.
No desfile, o único tipo de manifestação política ficou por conta de faixa, cartazes e bandeirinhas do movimento ''Mãos Limpas pelo Brasil''. Todo o material foi afixado imediatamente ao lado do cercado onde ficou o palanque - este ano, todo envolto não mais por faixas, mas por uma cerca de madeira -, com mensagens aos senadores do Paraná pedindo a cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em votação aberta.
Entre o público que assistiu aos mais de 3 mil participantes do desfile, o murmurinho pela ausência do prefeito começou tão logo as autoridades (a maioria, policiais) foram nominadas. ''O prefeito tinha até que desfilar, é uma forma de divulgar a cidade. E ele é que foi eleito, não os secretários'', opinou o operador de máquina Antonio José Paulossi, 39. ''É medo de ser vaiado, será?'', provocou o autônomo Marcioneu Ivo da Silva, 52. Também autônomo, Aparecido Andrade, 33, discorda. ''Não vejo nenhuma diferença em ele estar aqui ou não, pois o pessoal da Educação, que organizou o desfile, está presente. Não é em todo local que o prefeito precisa ir'', avaliou.
A secretária de Educação alegou que Nedson teve um compromisso ''fora da cidade e precisou se ausentar''. Por outro lado, ela minimizou: ''Ele esteve nas comemorações de toda a Semana da Pátria, inclusive recebeu pessoas que participaram do evento. O importante é que o evento foi pacífico e atingiu objetivos de civismo e patriotismo''.

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