Arquivo FolhaBloco de pesoMichel Temer, candidato do PMDB, PFL e PSDB: partidos têm juntos 289 votos e garantem a maioria

A 11 dias da eleição do novo presidente da Câmara, os três candidatos e seus cabos eleitorais têm apenas uma certeza: será impossível decidir a disputa no primeiro turno. A votação é secreta e, se ninguém conseguir 257 votos (a maioria mais um do total de 513 deputados), haverá segundo turno. A eleição foi marcada para o dia 5, o penúltimo da convocação extraordinária.
O deputado Wilson Campos (PSDB-PE) é o que faz mais barulho. Na quarta-feira à noite ele reuniu 145 deputados na casa de um cabo eleitoral, o também deputado Ricardo Heráclio (PSB-PE). Os números, porém, estão longe de ser confiáveis. Muitos parlamentares que passaram por lá foram também ao jantar de Prisco Viana (PPB-BA), o segundo candidato. E o líder do PMDB, Michel Temer (SP), o terceiro candidato, também jantou com deputados que passaram pelos dois encontros.
Teoricamente Wilson Campos leva vantagem sobre os outros dois concorrentes. Ele é o primeiro secretário da Câmara, cargo que lhe permite fazer sua política preferida, a do clientelismo. Cabe ao primeiro secretário cuidar dos imóveis e móveis dos deputados, ajeitar os melhores gabinetes, ceder linhas telefônicas e conceder passaportes diplomáticos. Campos faz um discurso voltado para o atendimento às reclamações dos parlamentares, principalmente quanto a um reajuste de salário.
Prisco Viana confia na possibilidade de obter uma das duas vagas do segundo turno. Ele é o candidato oficial do PPB do ex-prefeito Paulo Maluf e o preferido de boa parte das esquerdas. A princípio a candidatura de Prisco chegou a ser incentivada pelos defensores da de Michel Temer. Estes imaginavam que o candidato do PPB tiraria votos do ‘‘baixo clero’’ e enfraqueceriam Campos. Mas a candidatura de Prisco cresceu demais.

Candidatos promovem
jantares para
atrair os votos
dos deputados


Michel Temer é o candidato oficial do PMDB, do PFL e do PSDB, partidos que juntos têm 289 deputados, número suficiente para eleger o presidente da Câmara, além do apoio explícito do presidente Fernando Henrique Cardoso. O problema para Michel Temer é que nem todos os deputados dos três partidos pretendem votar nele. A começar do próprio Campos, que é do PSDB e tem votos em todos os partidos, do PT ao PPB, do PC do B ao PTB. ‘‘A vitória de Michel Temer é importante para a continuidade do processo de reformas do País’’, disse o líder do governo, Benito Gama (PFL-BA).
O PT tem 51 votos e estes poderão ser dados a um só candidato. A deputada Sandra Starling (MG) apresentou proposta ao líder José Machado (SP) para que convoque a bancada na próxima semana para deliberar se o partido deve apoiar um candidato apenas. Sandra é eleitora de Prisco Viana e vai defender o voto neste deputado. Chico Vigilante (PT-DF) trabalha pela candidatura de Wilson Campos. Os baianos Luiz Alberto e Walter de Freitas, que assumiram o mandato em 2 de janeiro, não admitem o voto em Prisco. Só não há no PT defensor da candidatura Temer.
José Machado é contra o fechamento de questão em um candidato. Ele acha que os petistas devem ter a liberdade de votar em quem quiserem. Defende a manutenção de decisão anterior, que não impõe veto partidário ou ideológico a nenhum dos três candidatos.

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