Eleição de Severino agrada bancada do PR
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Fim da subserviência ou da ''extensão com o Planalto'', início de um campo neutro onde prevaleça a autonomia da Câmara. Para a maioria dos deputados federais eleitos por Londrina, essas são algumas das análises que podem ser feitas sobre a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência do Congresso Nacional. Nas palavras de Alex Canziani (PTB), José Janene (PP) e Luiz Carlos Hauly (PSDB), a medida promete trazer reflexos positivos para o Paraná mesmo com a promessa impopular, feita por Cavalcanti, de aumentar os salários dos deputados caso fosse eleito.
Em seu segundo mandato em Brasília, Canziani defendeu que a ascensão do colega do PP muda a linha de relacionamento da Casa com o Planalto, especialmente no que ele chama de ''questão de proporcionalidade''. ''Boa parte dos deputados queria o Virgílio (Guimarães, PT-MG) para a presidência, mas o governo quis nos empurrar goela abaixo a candidatura do (Luiz Eduardo) Greenhalgh (PT-SP) sem consultar sua base aliada'', criticou. Segundo ele, a promessa de aumentar os atuais R$ 12 mil de salário dos deputados federais para R$ 21,5 mil não deve afetar a imagem de siglas que o apoiaram na eleição inclusive o PTB, com os votos da maioria dos membros. ''É a chance que a Câmara precisava para deixar de ser tão subserviente ao Executivo e se afirmar'', considerou Canziani, para quem projetos de aplicação no Estado devem ser discutidos mais democraticamente. ''Mesmo a posição do Governo ante a MP 232 pode mudar'', considera.
Dentro da chamada ala de oposição nacional do PT, o PSDB do deputado federal Luiz Carlos Hauly foi outro que comemorou a vitória de Cavalcanti sobre Greenhalgh. Na opinião dele, a expectativa agora é que ''se mantenha um campo neutro, sem que a Câmara seja uma extensão do Planalto como foi até agora'', disse, referindo-se ao ex-presidente, o petista João Paulo Cunha. Hauly aposta que a eleição do representante do PP se reflita no Paraná por meio de uma maior liberdade de ação às alas opisicionistas. ''Uma grande parte nossa votou nele, pois espera que, nas votações, não dê preferência aos deputados da base governista'', explicou. Por outro lado, Hauly fez questão de frisar que a opção pelo pernambucano, dentro do PSDB, não tem ''nada a ver'' com o aumento dos rendimentos dos parlamentares, uma vez que, de acordo com o paranaense, o próprio Greenhalgh teria prometido aumento de verba. ''Ele nos prometeu o maior salário do Judiciário, bem como o Virgílio'', apontou.
Líder do PP na Câmara, José Janene avaliou que a mudança dá maior equilíbrio às discussões de projetos à medida em que ''elas saem de dentro do Planalto''. Como usar a influência no Paraná? Janene explica que tudo depende, por enquanto, de uma análise solicitada por ele a sua assessoria técnica. ''É para ver tudo que foi empenhado de verbas para os estados e ver o que se pode fazer'', disse, para completar que o setor agrícola do Estado pode ser contemplado, ''em breve''. ''Há muitas reivindicações que vamos analisar para liberação de recursos'', sinalizou.


