Eleição de domingo muda perfil político da Bolívia
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segunda-feira, 01 de julho de 2002
Coco Cuba <BR> France Presse 
La Paz O Congresso boliviano, que vai sofrer grandes alterações depois da eleição de domingo, marcada pela ascensão como segunda força do Movimento ao Socialismo do líder dos produtores de coca Evo Morales, decide em agosto se o novo presidente será o liberal Gonzalo Sánchez de Lozada ou o ex-militar de direita Manfred Reyes Villa, segundo resultados das pesquisas de boca-de-urna.
O ex-governante Sanchez de Lozada (1993-1997) e Reyes Villa vão disputar a Presidência de Bolívia no Congresso no próximo dia 4 de agosto, depois da eleição que, segundo as pesquisas de boca-de-urna, não teve resultado definitivo. Os resultados oficiais devem ser conhecidos na quarta-feira.
A Constituição estabelece que se o vencedor das eleições não consegue mais de 50% dos votos, o presidente deve ser escolhido, pelo Parlamento, entre os dois candidatos mais votados. As eleições definiram uma nova estrutura no Congresso boliviano, onde o Movimento ao Socialismo, do líder dos produtores de coca Evo Morales, que ficou com a segunda maior bancada do Congresso, 32 das 157 cadeiras da Câmara Baixa, atrás do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) de Sanchez de Lozada, com 46 vagas.
Os social-democratas (MIR) do ex-presidente Jaime Paz Zamora (1989-1993) conseguiram 31 cadeiras e a Nova Força Republicana (NFR) de Reyes Villa, 28. No Senado, Sanchez de Losada deve ficar com 12 das 27 cadeiras, o MAS de Morales com 7, o MIR de Paz Zamora com 5, o MFR de Reyes Villa com 2 e a conservadora Aliança Democrática Nacionalista (ADN, atualmente no governo) com 1.
A ADN tornou-se o grande perdedor. Fundado em 1979 pelo ex-presidente (1997-2001) e ex-ditador Hugo Banzer (1971-78), o partido que apoiou o candidato Ronald McLean conseguiu 3,3% dos votos. E terá, segundo as pesquisas, apenas seis cadeiras no Congresso, 21 a menos do que na eleição anterior em 1997, suficiente apenas para manter sua existência legal.


