Salvador - Uma ''barbeiragem'' da equipe de som que montou as instalações do encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o líder venezuelano, Hugo Chávez, permitiu que parte da conversa reservada entre os dois fosse transmitida para o público externo. Diante da dificuldade de se chegar a um acordo para a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, Lula prometeu ao seu colega que, se conseguir eleger sua sucessora a ministra Dilma Rousseff, todos os problemas serão superados e o projeto sairá do papel.
''Se eu conseguir eleger a Dilma (Rousseff, ministra da Casa Civil), vou ser o presidente da Petrobras e você (José Sérgio) Gabrielli (presidente da estatal), vai ser meu assessor e o acordo será fechado'', disse Lula, em tom de brincadeira, sem saber que a ironia estava sendo ouvida por toda a imprensa, na sala ao lado, pelo equipamento de tradução simultânea que seria usado para a entrevista que seria concedida, logo depois.
O vazamento da conversa entre os dois presidentes e Gabrielli permitiu que os jornalistas acompanhassem as dificuldades de negociação, no encontro reservado entre os três, as insistentes e inúmeras reclamações de Chávez, além de sua decepção com os novos entraves na discussão. Gabrielli explicava que existiam três pontos ainda pendentes e que careciam de mais discussão - custos de investimento, comercialização do produto e o preço do petróleo - e avisava que seriam necessário mais 90 dias para discutir essas questões.
Chávez reclamou: ''É lamentável não sermos capazes de fazer um acordo. A conta é de anos. Confesso que estou frustrado. A culpa é dos dois governos''. E prosseguiu se queixando: ''Não podemos conceder a Petrobras um preço diferenciado. O preço tem que ser de mercado. No mundo inteiro funciona assim. Funciona assim em Cuba, nos Estados Unidos e na Rússia''. Gabrielli, então, respondeu: ''nós também defendemos o preço internacional''.
Quando os assessores dos dois presidentes descobriram que os jornalistas estavam ouvindo a reunião reservada, houve um enorme alvoroço e preocupação e representantes do governo brasileiro exigiram que a empresa que forneceu o equipamento tomasse os fones da imprensa e auxiliaram na execução da tarefa.

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