Curitiba - Os partidos de peso instalados no Paraná estão de olho na maneira como o PMDB está articulando seus diretórios municipais para as eleições do ano que vem, quando serão escolhidos os novos prefeitos e vereadores dos 399 municípios do Estado. As estratégias adotadas pelo partido do governador Roberto Requião devem pautar o rumo que as outras siglas irão tomar na campanha de 2004.
O monitoramento da postura que o PMDB irá adotar tem sido maior por parte dos partidos que apoiaram Requião na campanha ao governo, em outubro do ano passado: PT, PPS, PL e PV. A preocupação dos aliados de Requião é que o governador acabe favorecendo seu partido nas eleições do ano que vem, o que enfraqueceria, nos municípios, os partidos que formam a base de apoio do governo.
O ponto mais delicado do xadrez eleitoral das eleições para as prefeituras deve ser a relação PMDB-PT. Os dois partidos foram bem nas urnas, na eleição passada, e têm a intenção de lançar candidaturas próprias em cidades-chave, como Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu, os maiores colégios eleitorais do Estado. Em Londrina, Maringá e Ponta Grossa, os prefeitos atuais são do PT. ''Os dois partidos têm legitimidade para lançar candidatos, ainda mais em eleições como a de Curitiba, que com certeza serão definidas em dois turnos. O ideal seria que o governo ficasse neutro nos locais em que uma eventual disputa possa ocorrer'', avalia o presidente do PT estadual, André Vargas.
O temor tanto do PT quanto do PMDB é que as constantes mágoas políticas decorrentes das eleições acabem afetando a aliança que as duas siglas mantêm na Assembléia Legislativa. O PT apresenta a maior bancada da Casa, com nove deputados, e o apoio da sigla é considerado vital pelos peemedebistas para que o governador mantenha uma maioria folgada nas votações do Poder Legislativo.
Para o presidente do diretório estadual do PMDB, Gustavo Fruet, a disputa com partidos aliados nas maiores cidades é inevitável. ''Precisamos lançar candidaturas próprias, apesar de sabermos da intenção dos partidos aliados em disputar as prefeituras nos mesmos locais. Estamos seguindo o bom exemplo do PT, que depois de lançar seus candidatos sucessivamente, conseguiu firmar seu nome e conquistar prefeituras importantes.'' comentou. Fruet reconhece ainda a necessidade de manter a governabilidade de Requião. ''Vamos tomar todo o cuidado possível para evitar atritos ou atitudes que possam ser consideradas como interferência do governo em questões locais.''

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