'Ele teve que voltar atrás'
Pivô do primeiro escândalo da atual legislatura, o empresário Maurício Costa saiu de cena desde que veio a público a denúncia contra o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP). Do final de agosto - quando depôs na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, duas vezes - para cá, Costa, sócio da construtora que executa as obras do projeto ''Minha Casa, Minha Vida'', não se pronunciou sobre o assunto: nem mesmo à Câmara respondeu ofício no qual poderia expor o que, de fato, teria ocorrido.
Ontem, o advogado do engenheiro, Jorge Brandalize, falou pela primeira vez sobre o ''desaparecimento'' do cliente - que ''está em Londrina e não fala por uma orientação da defesa'', definiu. ''Achamos que ele falou um pouco demais para o promotor, tanto que teve que voltar atrás e se retratar. Pela repercussão que teve, o fato em si esgotou, ficou resumido no depoimento'', declarou Brandalize, ontem, à FOLHA. Leia, a seguir, trechos da entrevista com o advogado.
Qual a versão do empresário, hoje, para a suposta cobrança de propina?
Brandalize Ele mantém a versão para o Ministério Público na qual se retratou, ou seja: a de que não recebeu, objetivamente, proposta de propina.
E subjetivamente?
Aí é a interpretação livre de cada pessoa. O Maurício teve uma conversa reservada com o vereador, entre uma votação e outra... teve essa abordagem, mas com o interesse do parlamentar em saber detalhes do projeto, acredito, como defensor do povo e do bem-estar de seus eleitores. Nesse nível.
O que levou o empresário, portanto, a se retratar diante do MP, de um dia para o outro, tão substancialmente?
A consciência, segundo ele; a cabeça no travesseiro. O Maurício é um cidadão idealista, criador do (projeto) Onde Moras, tem ótimos princípios, então achou que não deveria se envolver. Ele só estranhou e ficou impressionado pelo fato de o vereador votar contra na primeira votação.
A conversa entre ambos foi fora do plenário?
Sim, no corredor, do lado de fora do vidro. Isso não quer dizer que estivesse havendo tentativa de suborno. Sobre o silêncio dele, e o que estão dizendo, são interpretações que cada um tira. O Maurício não tem obrigação de responder formalmente nada à Câmara, que não tem poder de polícia, tampouco autoridade para intimá-lo. A Câmara apenas convida. Se for em juízo ou ao MP, aí, sim, ele vai. (J.G.)





