O advogado Luiz Alfredo da Cunha Bernardo, de Campo Mourão (a 80 quilômetros de Maringá), confirmou ontem à Folha que foi procurador do ex-secretário da Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi na venda das duas fazendas de 5,2 mil hectares em Nova Mutum (MT). Mas ele disse que não presta mais serviços a Paolicchi. ‘‘Caí de costas quando soube das denúncias contra o ex-secretário’’, afirmou.
O advogado alegou que ainda não recebeu o pagamento e que Paolicchi havia proposto quitar os honorários, de R$ 200 mil, com a transferência da chácara em Maringá. ‘‘Não aceitei. Para que eu quero chácara em Maringá?’’, alegou. A chácara, mostrada na edição de ontem da Folha, tem 4 mil m2, piscina e campo de futebol. Haveria até um heliporto na propriedade.
De acordo com o Ministério Público, Paolicchi vendeu no dia 21 de setembro, por R$ 1,6 milhão as duas fazendas de Nova Mutum, cujo valor seria de R$ 4,2 milhões. Mas segundo o promotor José Aparecido da Cruz, a escritura não foi transferida para os novos donos por causa da indisponibilidade de bens de Paolicchi, decretada pela Justiça.
Ontem, o advogado disse que quando Paolicchi comprou as fazendas, no início de 98, as propriedades já tinham dívidas de R$ 2,6 milhões junto ao Banco do Brasil. ‘‘Quando ele comprou, transferiu a posse pela dívida’’, explicou.
Segundo Bernardo, os novos compradores – Moacyr Battaglini, a mulher dele Vilma Piva Battaglini, além de Humberto Paulo Alves de Freitas - assumiriam uma conta que, na verdade não foi feita por Paolicchi. ‘‘Em 87, a fazenda era de propriedade de cinco pessoas de Campo Mourão e foi vendida para a agropecuária Boa Vista, que depois vendeu para o Luis Antônio (Paolicchi)’’.
De acordo com o advogado, que contou ter conhecido Paolicchi quando foi procurador jurídico da Prefeitura de Campo Mourão, entre os anos de 93 e 96, o fato de a fazenda ter pertencido aos mourãenses motivou o pedido do ex-secretário para que Bernardo fosse seu procurador.
Ele conta que, em setembro, esteve no Mato Grosso com Moacyr Battaglini e apresentou-lhe a procuração de Paolicchi para a transferência da fazenda e negou que houvesse dinheiro na transação. ‘‘Ele não pagou. Iria assumir a dívida atual das propriedades, de R$ 3 milhões, no Banco do Brasil e de R$ 1 milhão na cooperativa Coopervale, em Palotina’’. O advogado contou que Paolicchi atrasou pagamentos de débitos com o banco e também com os cinco funcionários das fazendas, que estariam há dois meses sem receber, além do agrônomo, que estaria com o salário atrasado há dois anos.
A prestação de contas da escritura, formalizada no mês passado, foi entregue a Paolicchi, segundo o advogado, no dia 22 ou 23 de setembro, em Maringá. ‘‘O original ficou com ele’’, alegou. Bernardo disse que foi seu último contato com o ex-secretário, ocorrido no escritório dele, na área central de Maringá. O escritório consta registrado na Junta Comercial do Paraná como sendo uma empresa de táxi aéreo em nome de Paolicchi. (P.Z.)