''Ele já pôs o dinheiro? Deu quanto, aí?''
Da Redação
Jaime Amato Filho e Aquiles Prestes, que já cumpriram pena na Penitenciária de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), faziam a contabilidade do produto do tráfico na casa da mãe de Aquiles como revela a Fita 4, grampeada em Curitiba. Eles são companheiros homossexuais. Amato esteve preso durante três anos, por tráfico de drogas. Ele foi solto em dezembro de 1996. Aquiles também cumpriu pena de 18 anos por latrocínio, onde conheceu Amato.
Os dois, que estão foragidos, viviam juntos na casa de Amato, no bairro Fazendinha, em Curitiba, endereço descoberto pela Folha com exclusividade no final da semana passada. Na casa mora também a mãe de Amato, uma senhora de 70 anos que teria sofrido um derrame e está sob cuidados de Reginaldo Pinheiro, contratado por Amato. Reginaldo nega ligação com o tráfico e que a casa seja um ponto de venda de cocaína e crack. Mas as fitas grampeadas revelam que, numa conversa telefônica com Amato, ele negocia drogas.
A reportagem também descobriu o endereço de uma loja de material de construção em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), ligada ao traficante carioca Fernandinho Beira-Mar. A ANR Materiais de Construção Ltda., fundada pelo traficante, está na lista de suspeitas da CPI do Narcotráfico como sendo de fachada para acobertar o tráfico de drogas.
A loja estava no nome de Beira-Mar até o final de 96, quando foi transferida para Ricardo Barcellos, amigo de infância do traficante carioca. Entrevistado pela Folha de Londrina/Folha do Paraná, Barcellos negou que a empresa seja um entreposto para a venda de drogas. Ele assegurou que só trabalha com a comercialização de material de construção e disse que não vê Beira-Mar desde 96, quando adquiriu a loja.
A ANR foi descoberta depois que a polícia do Rio de Janeiro encontrou uma relação dos bens e imóveis do traficante carioca. Nos documentos, ainda aparecia a loja de materiais de construção como uma das empresas de Beira-Mar. A lista foi encaminhada para os membros da CPI do Narcotráfico. A CPI espera contar com a ajuda da Polícia Civil e Federal no Paraná para descobrir se há outros negócios do traficante em Colombo ou mesmo em outra cidade do Estado.Sequência da reprodução dos diálogos entre os traficantes mostra que contabilidade era feita na casa da mãe de Aquiles
Arquivo FolhaCONTRADIÇÃOCasa de Amato, cuidada por Reginaldo Pinheiro, que negou ligação com tráfico. mas conversas confirmam que ele negociava droga





