''Ele é um canalha'', diz AMP
Dimitri do Valle
De Curitiba
O presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (AMP), Ruy Fernando de Oliveira, chamou ontem o presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) de canalha durante o protesto dos juízes em Curitiba. Oliveira saiu em defesa do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, que vem sendo alvo dos ataques de ACM. Pessoas desqualificadas procuram denegrir uma pessoa da importância do ministro do STF. O ministro pode sair à frente de qualquer canalha, afirmou Oliveira, de um palanque montado em frente ao Fórum Cível, no Centro Cívico.
Os discursos inflamados também não pouparam o Fundo Monetário Internacional (FMI). Por cerca de duas horas, cerca de 100 magistrados das justiças federal, estadual e trabalhista paralisaram suas atividades na capital. Depois dos discursos, eles se dirigiram até a Boca Maldita. Atores protagonizaram uma encenação teatral que mostrou a tentativa de desmonte do Judiciário.
No Paraná, existem 435 juízes estaduais para 13 milhões de habitantes. Por ano, esses juízes julgam 924.236 processos, ou seja, 2.125 processos por magistrado. A paralisação dos juízes afetou cerca de 5 mil pessoas na Justiça do Trabalho em todo o Estado. A escola pública foi destruída, a assistência social e a saúde pública estão sendo destruídas, os sindicatos estão enfraquecidos. Agora o poder judiciário está na mira dos destruidores, disse a juíza Eneida Cornel, diretora da Associação dos Magistrados do Trabalho do Paraná.
Além dos magistrados, os servidores do Judiciário no Paraná também protestaram. Eles se concentraram em frente ao prédio do Tribunal de Justiça em Curitiba para pedir reposição salarial de 53,06%.





