EJ exercia controle, acusa cientista político
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segunda-feira, 21 de agosto de 2000
Agência Folha De Brasília 
Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), em Brasília, o cientista político e sociólogo Carlos Ferreira Pereira afirmou ontem que o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira era o controlador das demandas parlamentares. Segundo os dados que Pereira coletou para uma tese de doutorado para a Universidade de Nova York, EJ controlava indicações para cargos no governo e posições importantes no Congresso, além da liberação de dinheiro para emendas de parlamentares.
Eduardo Jorge disse aos senadores que não tinha influência, pois temos aqui o depoimento de um pesquisador que mostra o contrário: ele tinha poderes até sobre a liberação de verbas, comentou o procurador Guilherme Schelb.
Na tese, Pereira chegou à seguinte conclusão, também relatada aos procuradores: Os parlamentares que mais apóiam o governo, e por consequência recebem mais recursos públicos, têm um percentual de reeleição de 97,3%.
O cientista contou aos procuradores Schelb e Luiz Francisco de Souza como funcionava o serviço de acompanhamento parlamentar subordinado a EJ. As planilhas de votação, com acompanhamento sobre todos os parlamentares, passaram a registrar tendência de voto, apoio a governadores, contatos políticos e apresentação de emendas individuais e de bancada ao Orçamento. Hoje há pelo menos 100 funcionários que trabalham para municiar o governo com informações sobre o Congresso. O acompanhamento parlamentar era a grande fonte de poder de EJ, segundo os procuradores.


