Brasília - O empresário Eike Batista afirmou na manhã de ontem que suspeitas de irregularidades em empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao Grupo EBX são uma "inverdade". Em depoimento à CPI do BNDES, Eike disse que os recursos do banco de fomento usados pelo grupo, de cerca de R$ 10 bilhões, representam uma pequena parte dos investimentos totais dos projetos.

Aos deputados, o empresário afirmou que veio à comissão para explicar "uma grande inverdade em relação aos créditos do BNDES". "Como qualquer empresário do mundo, vai procurar recursos de várias fontes", disse, ao justificar o motivo dos empréstimos. Ele ressaltou que o BNDES não teve prejuízo em seus financiamentos feitos com o grupo.

Eike usou como exemplo o Porto de Açu, que teve R$ 3,3 bilhões de empréstimos do BNDES, enquanto investimentos próprios e de investidores estrangeiros somaram cerca de R$ 70 bilhões. Segundo ele, o porto hoje gera renda, empregos e facilita as exportações do País. Ele, entretanto, demonstrou incerteza sobre possíveis investimentos de fundos de pensão de estatais em suas empresas, que acabaram ruindo e sendo entregues a credores.

Em sua fala inicial aos parlamentares, Eike chegou a negar que recursos de fundos de pensão tenham sido aplicados nas empresas. "Nenhum fundo de pensão investiu na minha companhia. Os recursos vieram de empresas estrangeiras", disse. Em seguida, o executivo foi interpelado pelo deputado Sérgio Souza (PMDB-PR), que afirmou ter tomado conhecimento de que o Postalis, fundo de servidores dos Correios, teria comprado R$ 127 milhões em ações do grupo EBX. O empresário então afirmou não ter conhecimento da informação. "Essa compra é feita direto na Bolsa, é uma ação independente", explicou.

A presença do executivo foi solicitada por requerimento dos deputados Marcus Vicente (PP-ES) e Raul Jungmann (PPS-PE). No pedido, os parlamentares justificaram que o Grupo EBX, conglomerado de companhias que eram controladas por Eike, receberam aportes financeiros dos principais fundos de pensão investigados pela CPI.

A CPI dos Fundos de Pensão foi instalada em agosto para apurar indícios de aplicação incorreta de recursos e manipulação na gestão de fundos de previdência complementar de servidores públicos entre 2003 e 2015. Até o momento, foram ouvidos diretores de Petros (da Petrobras), Funcef (da Caixa Econômica Federal), Previ (do Banco do Brasil) e Postalis (dos Correios), além do doleiro Alberto Youssef.

Na manhã de ontem, Eike prestou mais de três horas de depoimento à CPI do BNDES. Ele disse que não gerou nenhum prejuízo ao banco de fomento e afirmou que contratou o ex-ministro José Dirceu para atuar junto ao governo boliviano para dar andamento a um projeto de siderurgia que acabou fracassando.

À CPI do BNDES, ele afirmou também que conhece Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, conhecido como operador de propinas do PMDB. O empresário ponderou, entretanto, que nenhum projeto foi concretizado com Baiano.

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