Washington - A violência no Oriente Médio continuará até que seja posto em prática um plano apoiado pelos Estados Unidos que considere a criação de um Estado Palestino, disse o presidente do Egito, Hosni Mubarak, em uma entrevista publicada ontem no jornal ‘‘The Washington Post’’.
‘‘A violência não acabará na Palestina da noite para o dia’’, afirmou Mubarak na Blair House, a residência onde ficam os líderes que visitam Washington. ‘‘Estamos tratando de seres humanos que não podem trabalhar, cujas casas estão destruídas. Que se pode esperar deles? A única forma de deter esse processo é dar esperança a esta gente’’, acrescentou.
Mubarak, que está em Camp David para se encontrar com o presidente George W. Bush, é o último de uma série de líderes árabes que pediram ao presidente americano para determinar um prazo para resolver a crise no Oriente Médio entre israelenses e palestinos.
O presidente egípcio havia se reunido com o secretário de Estado, Colin Powell, na Blair House na sexta-feira antes de partir para a residência presidencial de Camp David, em Maryland, onde conversou com Bush à noite e durante o dia de ontem.
Para que as conversas continuem, disse Mubarak, ‘‘deve haver alguma flexibilidade do lado israelense, como, por exemplo, a retirada das tropas da Cisjordânia. Apenas os Estados Unidos têm o ‘‘peso necessário’’ para assegurar que essas condições serão cumpridas.
O papel do Egito, ‘‘e principalmente o dos Estados Unidos como ator central do processo de paz, é ajudar as partes a retomar as negociações e pôr fim à violência’’, concluiu Mubarak.
Agressão - A Liga Árabe condenou ontem a ‘‘agressão’’ israelense nos territórios palestinos e acusou Israel de ‘‘rejeitar a iniciativa árabe de paz’’ para o Oriente Médio.
Em um comunicado divulgado depois de uma reunião emergencial no Cairo, a Liga Árabe acusou Israel de ‘‘continuar aplicando uma política de castigo em massa contra os palestinos e de menosprezo aos locais santos islâmicos e cristãos nos territórios ocupados’’.
A Liga pediu ao Conselho de Segurança da ONU que ‘‘aja para proteger o povo palestino’’ e reiterou o apoio à ‘‘resistência legítima contra a ocupação israelense’’.

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