Além de viver a incerteza diante de quem será seu próximo gestor pelos próximos quatro anos, o imbróglio eleitoral ainda trouxe a Londrina um aspecto administrativo a ser resolvido: a cidade ficou sem um governo de transição, uma vez que o atual prefeito, Nedson Micheleti (PT), encerra dia 31 seus oito anos de gestão sem a definição de quem o substituirá. Até que novas equipes sejam formadas - pelo vice de Antonio Belinati (PP), Fernando Nicolau (PP), ou pelo (a) futuro (a) presidente da Câmara, as funções de chefia nos órgãos das administrações direta e indireta poderão ser tocadas por funcionários de carreira das pastas, sugere o chefe do Executivo.
De acordo com Nedson, os efetivos mais próximos às chefias de secretarias e autarquias vêm sendo orientados, pelo menos desde o mês passado, a dar todo tipo de suporte técnico necessário ao prefeito interino, como forma de minimizar a falta de uma transição administrativa. ''Acredito que será tranquilo esse tipo de transição, porque o prefeito, mesmo interino, poderá escolher pessoas de sua confiança para conduzir cada uma das pastas além de dispor de funcionários qualificados que já tocam a máquina'', concluiu. Por outro lado, o petista ressalvou: ''Lógico que tudo isso considerando um interino que não implemente projetos novos, sabendo do tempo de que irá dispor. Mas os funcionários de carreira estão apenas à disposição, por terem uma base lógica capaz de fornecer informações importantes. Ninguém vai criar constrangimentos'', definiu.
Em três das maiores secretarias municipais, a maior parte dos diretores, composta por efetivos, não vai pedir exoneração amanhã. É o caso da Saúde, por exemplo, onde, das dez diretorias, apenas três deixam os postos. A pasta tem cerca de 3 mil servidores. ''Os demais diretores, que permanecerão, estão em áreas estratégicas como Vigilância Sanitária e Controle de Endemias, por exemplo. Saímos eu e três diretorias, mas todas ocupadas por servidores de carreira. Mas fica tudo o mais organizado possível'', disse a secretária Marlene Zucoli.
Na Educação, que tem cerca de 2,8 mil funcionários no quadro, a secretária Carmem Sposti informou que foi preparado um ''memorial de transição'' a ser seguido pelos diretores e gerentes - todos, efetivos. ''É um material com o diagnóstico e principais desafios para serem seguidos na pasta. Não podemos ter interrupções, mesmo porque, trata-se de um calendário aprovado pelo MEC e pelo Conselho Municipal de Educação'', frisou.
Na Assistência Social, onde são cerca de 300 servidores - entre Secretaria, Provopar e ONGs -, a mesma iniciativa das outras duas será seguida. ''A indicação do secretário é uma atribuição do novo prefeito, interino ou não, mas há uma série de compromissos bem claros definidos que podem ser tocados pelo atual quadro - apenas uma das quatro diretorias vai deixar o posto'', afirnmou a secretária Maria Luiza Rizotti. Só da Assistência, o público médio atendido é de 26 mil londrinenses, em 35 pontos de funcionamento da pasta.

mockup