Curitiba– Apesar do destaque recebido pelas CPIs, os efeitos práticos das investigações demoram para aparecer. Isso ocorre porque as comissões não têm poderes para julgar um assunto em definitivo, ou mesmo decretar a prisão de pessoas envolvidas em irregularidades.
De acordo com o Regimento Interno da Assembléia, os únicos poderes de destaque facultados às comissões de inquérito são a capacidade de intimar autoridades municipais e estaduais a prestarem depoimento. De resto, a CPI só pode aproveitar a estrutura do poder público, solicitando o auxílio da Polícia e do Ministério Público, por exemplo, mas sem interferir na autonomia desses órgãos.
O vereador curitibano Fábio Camargo (PSC) ressaltou que é preciso muita ponderação para coordenar os trabalhos. ‘‘Às vezes, um parlamentar se excede e acha que tem poderes ilimitados para resolver um determinado assunto. O resultado é que geralmente os trabalhos da comissão acabam sendo impugnados por uma decisão da Justiça’’, comentou Camargo, que presidiu a CPI da Telefonia na Câmara.
Ele cita o exemplo da CPI da Telefonia da Assembléia Legislativa e que acabou tendo seus trabalhos suspensos pela Justiça a pedido da Brasil Telepar Telecom. ‘‘É da natureza humana, à frente de uma irregularidade, ficar indignado e perder a capacidade de utilizar a razão. Quando fiquei sabendo da falta de segurança da Brasil Telecom, senti vontade de dizer que ia prender todo mundo. É preciso calma nessas horas, para ver qual é realmente a infração e se foi cometida de modo proposital.’’

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