Educação vai recolher livro infantil com ‘conteúdo sensível’
A Gerência de Ensino Fundamental avaliou que o livro “O bebê vem com a cegonha?!?” poderia gerar questionamentos junto às famílias
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quarta-feira, 11 de março de 2026
A Gerência de Ensino Fundamental avaliou que o livro “O bebê vem com a cegonha?!?” poderia gerar questionamentos junto às famílias

A presença do livro “O bebê vem com a cegonha?!?”, da editora Melhoramentos, na biblioteca de uma escola municipal de Londrina fez com que a equipe da Gerência de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação solicitasse formalmente o recolhimento do título. A obra infantil aborda o nascimento de bebês desde a sua concepção.
A FOLHA teve acesso ao pedido de providências assinado pela gerente da unidade e pela diretora pedagógica, no qual afirmam que o livro tem “conteúdo sensível”, o que poderia gerar “questionamentos junto à família”.
O livro conta a história de Pedro, um menino curioso que quer saber de onde vêm os bebês enquanto espera a chegada de um irmãozinho. Ao fazer perguntas para diferentes adultos, ele recebe respostas fantasiosas, como a ideia de que os bebês são trazidos pela cegonha ou encontrados em pés de repolho, o que o deixa cada vez mais confuso. É a sua mãe que decide explicar como os bebês se formam e nascem.
“Considerando o teor do livro, entendemos que seria prudente o recolhimento dos mesmos”, afirmam a gerente e a diretora no documento, antes de acrescentar que outras unidades de ensino têm o mesmo título em suas bibliotecas.
Em uma das páginas anexadas ao pedido de informações, Pedro e a sua mãe conversam sobre a fecundação do óvulo pelo espermatozoide. Em outra página, após ser questionada pelo filho, a mãe conta que os espermatozoides saem do corpo dos homens pelo pênis e entram no corpo das mulheres enquanto eles fazem “amor”, descrito como “um carinho especial, feito de corpo inteiro”. “Durante esse carinho, o homem beija a mulher, eles se deitam, se abraçam bem apertado e ficam tão pertinho que ele consegue colocar o pênis na vagina da mulher”, descreve o livro.
O livro “O bebê vem com a cegonha?!?” está presente na rede municipal de ensino de Londrina pelo menos desde 2009, quando foi adquirido pelo município. Outra compra foi feita em 2018, segundo o histórico do Jornal Oficial do Município.
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Em nota, a Secretaria Municipal de Educação afirmou que o livro foi adquirido com recursos do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola), no âmbito do programa Mais Educação, do Ministério da Educação, repassados entre 2007 e 2016.
“Diante dos questionamentos em relação ao conteúdo do material, a Secretaria está realizando um levantamento em todas as unidades de ensino para verificar se há mais exemplares do livro disponíveis e adianta que solicitará o recolhimento destes para análise detalhada dos conteúdos apresentados”, diz a pasta municipal. “A SME reforça seu compromisso com a educação de qualidade e o bem-estar das crianças e segue trabalhando para que todos os materiais didáticos disponibilizados nas escolas municipais sejam adequados para cada faixa etária.”
Em nota encaminhada à FOLHA, a editora Melhoramentos afirma que o livro foi publicado em 2003 e não faz parte do catálogo atual da editora. Também ressalta que tem um cuidado rigoroso na escolha e no acompanhamento de cada obra, e que títulos antigos são revisitados para “garantir que continuem alinhadas às discussões contemporâneas, às práticas educativas vigentes e às expectativas de uma mediação responsável de conteúdos sensíveis na infância”.
“Embora não tenhamos sido previamente comunicados sobre a análise conduzida em Londrina, reiteramos nossa disposição para dialogar com as autoridades responsáveis e oferecer todos os esclarecimentos técnicos necessários. Entendemos que processos de avaliação de materiais pedagógicos devem ocorrer com transparência, responsabilidade e alinhamento aos objetivos educacionais”, diz o texto.
Errata: Diferentemente do publicado na versão inicial deste texto, o pedido de recolhimento do livro “O bebê vem com a cegonha?!?” partiu da equipe da Gerência de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação, e não da direção da escola municipal. A informação foi corrigida.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.





