''Educação limita desenvolvimento''
Pedro Livoratti
De Londrina
O modelo adotado pelo governo federal com a privatização das estatais e o recuo dos investimentos no setor da educação colocam o País fora dos trilhos do desenvolvimento. Esta é a avaliação do historiador norte-americano, Frank MacCann, que há 30 anos desenvolve estudos sobre o Brasil e América Latina. O professor esteve ontem na Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde deu duas conferências. MacCann tem dois livros publicados no Brasil retratando a aliança do País com o governo dos Estados Unidos e sobre a história do Exército brasileiro.
Os Países que avançaram investiram pesado na educação. Se não se faz isto vai-se em outra direção, afirmou MacCann. A avaliação crítica do professor é respaldada em intenso contato com os problemas brasileiros. Nos últimos 34, anos ele esteve pelo menos 30 vezes no País para pesquisas e conferências.
O professor também é ácido quando avalia o presidente FHC, que frequentou a Wilson Center, em Washington. MacCann também foi bolsista neste instituto. Suas obras são sempre citadas em minhas aulas sobre história da América Latina, disse o professor, que se mostra desapontado com o segundo governo do presidente. Ele explicou que não concorda com a exploração das estradas brasileiras por empresas particulares a troco de melhorias nestas vias.
Isto certamente não seria tolerado nos Estados Unidos. Tornar toda esta estrutura particular, para mim, é aumentar custo de produtos e piorar a situação econômica, criticou o professor. Ele lembrou que toda a estrutura foi construída pelos militares e pelo governo. Isto me lembra as estradas de ferro, que foram também entregues à inicitiva privada e que depois acabaram voltando para o governo brasileiro, comparou ele.
Para o professor, o País, que já foi a oitava economia do mundo e se caracteriza como um grande exportador de grãos, tem de promover cortes em despesas públicas, se o desejo é atrair investimentos externos. Segundo ele, é isto que interessa ao investidor internacional. Porém, ele ressalva que abertura para capital estrangeiro não pode interferir na vida do brasileiro.
Apesar dos problemas, o professor MacCann deposita grande confiança no País. Estamos falando de um país com enorme potencial. Se houver educação, fatalmente haverá crescimento, afirmou.





