Educação é a nossa principal deficiência para o desenvolvimento socioeconômico
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
Luiz Geraldo Mazza 
Erosão escolar
Levantamento do Unicef-Ministério da Educação mostra que 70% dos jovens que concluem a educação básica não conseguem entender um texto simples nem tem conhecimento básico de matemática. Um problema clássico de cognição. O filtro que constata tais anomalias é o Enem e o vestibular. Em meio a tudo isso a evasão, a repetência. De um a cada cinco alunos (quase sete milhões no Brasil) tem atraso escolar de dois ou mais anos.
Num país com essa linha de problemas dá até pena de ouvir os presidenciáveis, com o seu tsunami verbal, sugerindo soluções para nossas distorções, a maioria sem qualquer compromisso com a realidade. Educação é a nossa principal deficiência para o desenvolvimento socioeconômico, mas dela não temos feito a essencial prioridade, apesar de guerreiros isolados como Cristóvão Buarque.
E para complicar ainda mais o processo decalcamos dos norte-americanos o regime de cotas (a discriminação positiva) que, embora justificável numa perspectiva de justiça social, distorce o quadro de avaliações essencialmente ao colocar o fundamento da escola pública, o que desfigura a emulação ao lhe conferir um handicap que tende a operar como elemento de acomodação e não de avanço para superar contingências desfavoráveis. A erosão escolar reproduz num âmbito mais sensível o fenômeno da erosão geológica, um inimigo silencioso e difícil de combater.
Opção
Entre um empreendimento comercial e uma causa arqueológica, com quem fica o poder público? Curitiba é tida como bom exemplo, o que é parcialmente verdadeiro, desse tipo de intervenção pelo fato de ter criado unidades de preservação em larga escala. Mesmo tombado o prédio da fábrica de pianos Essenfelder foi demolido para beneficiar uma edificação comercial e agora se coloca acima de interesses preservacionistas da memória histórica um supermercado no lugar onde funcionava um dos mais antigos hospitais psiquiátricos, o do Bom Retiro, pertencente à Federação Espírita.
Como não houve qualquer cautela para conservar a edificação, derrubada na madrugada, o Conselho do Patrimônio Histórico municipal viu o fato como perda de objeto e não atendeu a demanda popular que pedia ao menos a manutenção dos muros e do bosque lá existente. Às vezes esses desvios dão respostas úteis como nas manipulações arquitetônicas feitas na Fundição Mueller para permitir o funcionamento do primeiro shopping moderno da capital, o Mueller. É evidente que o condomínio comercial acabou se consolidando com a falsa e ousada preservação.
Pista
A prisão de um suposto ladrão de escola municipal no bairro Umbará,e m Curitiba, levou a polícia a investigar algo que pode explicar a sequência de assaltos, que chegariam a 400, e que atingem núcleos educacionais e sociais que são submetidos a enormes prejuízos. O preso é um adulto de 32 anos, quando a versão normal é de que assaltos e depredações são obra de adolescentes.
Fogo
Estava quente o dia para ter tanto fogo em automóveis, um pela manhã na avenida Iguaçu, outro no Contorno Leste, e ainda com maior repercussão um ônibus no Boqueirão. Como se fala muito na renovação da frota, a prefeitura de Curitiba e a Urbs explicaram que o caso do veículo de transporte se deu por um defeito na turbina.
O veto justificado
O Tribunal de Contas já havia alertado o governo estadual - e isso muito antes da tramitação da mensagem de aumento do funcionalismo - no sentido de que houve extrapolação de 90% do limite de 49% da receita corrente líquida em despesas com pessoal em 2017. Ao vetar a mensagem que dava 2,79% aos funcionários do Judiciário, Legislativo, Tribunal de Contas e Defensoria Pública, a única pessoa que agiu em nome da austeridade foi a governadora Cida Borghetti. As sanções da Lei de Responsabilidade Fiscal vedam qualquer aumento ou nomeação, criação de cargos. Deputados fizeram sua média com o reajuste, tanto que apenas três parlamentares aprovaram o veto rejeitado por 43. O Paraná caminha para situação igual a do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, quebra inquestionável.
Terceirização
Por 7 votos a 4 o STF decidiu na quinta-feira (30) apoiar a terceirização irrestrita da atividade laboral, o que mostra a inércia das centrais sindicais que com ela não concordavam, parecendo que o fim do imposto sindical as detonou de vez. O argumento mais forte contrário era o de que isso, mais as reformas trabalhistas, precarizavam o mercado de trabalho. Até então a Justiça do Trabalho proibia a terceirização da atividade fim e permitia, com restrições, a operação na atividade meio. Havia em andamento mais de 4 mil processos sobre o assunto.
É mais um tema para o lulopetismo listar, junto com a derrubada da CLT, a terceirização como sujeita à revisão em plebiscito ou referendo.
Folclore
Consta que a onça, escultura de Turin, colocada em meio à rotatória verde do Centro Cívico, era chamada pelo artista de "mijona" por ter o acertado como modelo no Passeio Público.


