EDUCAÇÃO - Hora de mudança na diretoria
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quinta-feira, 17 de abril de 2008
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
A educação brasileira passa por um processo de transformação com as mudanças na gestão escolar. A presença maior do diretor no papel de administrador, somado à maior participação comunitária, tem feito das escolas públicas instituições mais autônomas, com menos espaço para determinações do governo e mais oportunidades para o surgimento de novas idéias.
A gestão autônoma das escolas públicas e o papel do diretor foi tema de um artigo escrito pela professora Rosemeire Aparecida Garcia Betiati, que será apresentado no Congresso de Gestão Pública (Consad), no final de maio, em Brasília. Em entrevista à FOLHA, ela fala sobre os novos rumos da educação e a importância do diretor se capacitar para exercer novas funções.
Quais as principais mudanças no papel de diretor escolar?
Hoje o diretor, além de toda formação pedagógica, precisa dominar os aspectos jurídicos e normativos que regem os sistemas de ensino do País. Ou seja, ele deve conhecer todo o processo administrativo. O diretor deixou de ser apenas um professor com cargo mais avançado e passou a ser, de fato, um administrador. Até porque as escolas públicas recebem muitas verbas, e, para que sejam eficientes, é fundamental que o diretor saiba gerir bem estes recursos.
Como capacitar o diretor para que tenha este perfil administrativo?
Já há cursos na área de gestão, de aperfeiçoamento, que estão sendo oferecidos pelo governo. Melhorou muito nos últimos anos, mas essa capacitação pode se estender ainda mais, principalmente com uma conscientização de que os diretores precisam buscar cada vez mais informação e estudos. Estudo nunca é demais.
A senhora acredita que falta autonomia para os diretores trabalharem ou isso mudou?
Se compararmos com o passado, hoje o diretor possui muito mais autonomia para tomar decisões. Antes era mais restrito, porque o governo influenciava diretamente no andamento da escola. Hoje a comunidade escolar é mais livre, existem os conselhos escolares, as Associações de Pais e Mestres (APMs) que trazem idéias para dentro da escola. Sem contar que antigamente era necessário seguir uma espécie de cartilha do governo, tornando as ações limitadas.
Há diretor que fica muito tempo no cargo. Isso é prejudicial?
Na minha opinião sim. Todo processo de gestão deve ter um rodízio de idéias. Assim como em outros cargos públicos, como mandatos políticos, tudo que perdura muito tempo fica desgastado. Deveria haver um rodízio, tanto que a legislação sobre isso já mudou. O diretor não fica por muito mais tempo em uma mesma escola.
A senhora disse que o diretor deve ter, além da formação pedagógica, domínio sob os aspectos jurídicos. O que mudou nesse sentido que eles ainda não estão bem informados?
A própria Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que regulamenta a educação no Brasil, ainda não é devidamente conhecida em sua totalidade. A questão das verbas que as escolas recebem, exigem uma prestação de contas que o diretor precisa estar por dentro para aplicá-las de acordo com suas finalidades. O controle sobre isso é muito maior, o que é positivo, porque antes os recursos chegavam e não eram destinados adequeadamente.
Mas por que, mesmo com o aumento da autonomia, a gente não vê tantos projetos novos, diferentes, sendo desenvolvidos nas escolas?
Eu acredito que qualquer processo de mudança é lento e gradativo, acontece aos poucos. Essa discussão da gestão é recente, então existe ainda um tempo para as coisas acontecerem e esta autonomia se consolidar. A partir do momento que o diretor se capacita para exercer sua função, com certeza a escola passa a ter idéias novas que possam mudar o panorama da educação em nosso País.


