Curitiba – O vice-presidente da empreiteira Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite, que estava preso desde a sétima fase da Operação Lava Jato, deflagrada em novembro do ano passado, teve seu acordo de delação premiada homologado ontem pela Justiça Federal do Paraná. A homologação ocorreu em primeira instância e não no Supremo Tribunal Federal (STF), porque em seus depoimentos o empresário não chegou a citar pessoas com foro privilegiado, políticos por exemplo.
Os primeiros resultados da delação de Leite já estão abertos. O executivo declarou à força tarefa da Operação Lava Jato que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, pediu R$ 10 milhões em 2010, a título de propina devida à diretoria de Serviços da Petrobras, na época controlada pelo ex-diretor Renato Duque.
Leite deixou a carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, por volta do meio dia de ontem, acompanhado de seu advogado. Ele vai cumprir prisão domiciliar em São Paulo e será monitorado por meio de uma tornozeleira eletrônica que foi fornecida por uma empresa especializada da capital paranaense. Ele decidiu entregar o que sabe e fechou acordo de delação no final de fevereiro. A homologação do acordo e os depoimentos ainda estão sob sigilo. Ele passou mais de quatro meses preso e responde a processo por corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos.
Dalton dos Santos Avancini, presidente da Camargo Corrêa, também celebrou acordo de delação que deve ser homologado nos próximos dias, segundo informou o advogado Marlus Arns. Avancini também deve cumprir prisão domiciliar em São Paulo. Tanto um quanto outro decidiram entregar o que sabem e fecharam acordo de delação no final de fevereiro. No acordo fechado com os delatores, o Ministério Público Federal (MPF) estabeleceu multa de R$ 5 milhões para Avancini e de R$ 2,5 milhões para Leite.
Nos depoimentos do acordo de delação, os dois executivos deram detalhes do esquema de corrupção dentro Petrobras, e sobre a atuação das empreiteiras do clube do bilhão, o cartel de 23 empresas que fraudou licitações e corrompeu agentes públicos. O primeiro investigado dentro da Lava Jato a cumprir prisão domiciliar é Paulo Roberto Costa, que vive no Rio de Janeiro. Ele fechou acordo de delação em setembro do ano passado e também recebeu uma tornozeleira.

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