Eduardo Jorge manteve empresa no PR
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quinta-feira, 27 de julho de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
O ex-secretário-geral da presidência da República Eduardo Jorge manteve até o mês passado ligações empresariais no Paraná. Ele foi acionista da Direct to Company (DTC), empresa montada em Quatro Barras (Região Metropolitana de Curitiba) pelo empresário do setor de comunicações, Leonardo Petrelli Neto. A DTC trabalha com a venda de programas de ensino à distância por satélite e Internet para todo o País.
Incluído na sociedade em novembro de 1999, Eduardo Jorge acabou por não integralizar o capital prometido. O Grupo Umuarama, do empresário Sérgio Prosdócimo (ex-Electrolux/Prosdócimo) ocupou o espaço aberto na empresa, com a compra de 30,5% das ações com direito a voto. Os demais acionistas são a família Petrelli, o empresário carioca Carlos Shebe e outros investidores ligados ao mercado de ações. A DTC é uma empresa de capital aberto.
A participação de Eduardo Jorge nos negócios da Direct to Company foram confirmadas ontem por Leonardo Petrelli, que atua como presidente da empresa. A DTC teve o Eduardo Jorge por seis meses. O nome dele esteve no contrato da empresa com a opção de ser sócio, mas ele não exerceu a preferência, disse Petrelli.
A relação entre a família Petrelli e Eduardo Jorge se originou de contatos políticos com lideranças do PFL e outros políticos de Brasília. Leonardo Petrelli é filho de Mário Petrelli, amigo pessoal do presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen, e que tem trânsito livre entre outros caciques do partido, como o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL). Bornhausen esteve na festa de aniversário de Mário Petrelli, recentemente, em Curitiba.
Na avaliação do empresário paranaense, as denúncias de tráfego de influências e desvio de verbas do ex-secretário-geral do presidente Fernando Henrique Cardoso contribuíram para a mudança no rumo de seus negócios. O foco dele não pode ser direcionado a novos investimentos. É notório que tudo isso mudou a sua rotina, afirmou Petrelli. Eduardo Jorge é acusado de ter contribuído com o desvio de R$ 169,5 milhões nas obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo.
Jorge tem sido apontado ainda como uma espécie de defensor da Encol, quando a construtora estava à beira da falência. Também pesa contra o ex-assessor a suspeita de ter forçado a indicação de uma série de dirigentes dos principais fundos de pensão do País, o que seria um canal para manter sua rede de atuação.
Em Brasília, circulou a informação de que Eduardo Jorge seria dono de uma empresa de informática com sede em Curitiba, chamada DDO-Direct. Esta empresa teria interesse numa licitação pública no valor de US$ 100 milhões para montar um sistema de informatização no Banco do Brasil. Pelo projeto, seria implantada Internet sem fio, com transmissão de dados por ondas de rádio e via satélite. A Folha checou a existência da empresa, mas ela não consta na Junta Comercial de Paraná. Petrelli garantiu que a DTC-Direct nunca se chamou DDO-Direct e que também nunca atuou com informática.


