O ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira prestou depoimento ontem no Ministério Público Federal em São Paulo sobre supostas ligações com o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo). EJ chegou por volta das 13h40, acompanhado de seu advogado, José Gerardo Grossi. Até as 20 horas, o depoimento de EJ não havia terminado. O ex-secretário-geral levava caixas com documentos e não deu entrevistas ao chegar. O ex-juiz, que está foragido há seis meses, é o principal suspeito do desvio de R$ 169 milhões da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo, investigado pela CPI do Judiciário, no Senado, em 1999. De acordo com a CPI, foram encontradas 199 ligações do ex-juiz para o gabinete de EJ desde 1992. Em depoimento, neste ano, na subcomissão do Senado que investiga desdobramentos da CPI do Judiciário, o ex-secretário-geral negou envolvimento com o desvio de verbas e contestou a quantidade total de telefonemas, afirmando que os contatos entre ele e o ex-juiz foram poucos e serviram para discutir a indicação de juízes para o TRT-SP, a fim de contribuir para a manutenção do Plano Real, lançado em 1994. O Ministério Público Federal considerou inconsistente o depoimento que EJ prestou à subcomissão do Senado. Com a convocação do ex-secretário-geral, os procuradores que investigam o desvio de verba do fórum pretendem obter mais informações sobre a suposta ligação entre o ex-secretário-geral e o ex-juiz. O depoimento de EJ foi acompanhado pelas procuradoras Maria Luiza Duarte e Isabel Groba, responsáveis pela abertura de um inquérito civil para investigar a eventual participação do ex-secretário-geral no desvio de verba, e pelo procurador José Ricardo Meirelles, responsável pelos processos criminais sobre o caso.