Eduardo Campos está entre testemunhas da Lava Jato
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sexta-feira, 11 de julho de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Os defensores do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, réus na ação penal que apura supostos desvios de recursos públicos nas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, reforçaram ontem que já arrolaram políticos e integrantes do alto escalão da estatal petrolífera como testemunhas de seus clientes. Segundo o advogado de Costa, Nélio Machado, foram arroladas nos autos como testemunhas de defesa o candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco (2007 até abril de 2014), além de Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), candidato ao Senado e ex-ministro da Integração Nacional.
Os advogados alegaram ontem, após a realização das oitivas com testemunhas de acusação na sede da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, que "não há provas concretas sobre a existência de uma organização criminosa destinada a desviar recursos da Petrobras", e que, por isso, é fundamental ouvir alguns diretores que ocupavam cargos na estatal em anos anteriores, além de políticos que estavam à frente do Executivo de Pernambuco, durante os anos de construção da refinaria.
O juiz da 13ª Vara Criminal Federal, Sérgio Moro, já tinha determinado na quarta-feira que a defesa de Costa esclarecesse o motivo de ter arrolado nos autos como testemunhas um candidato à Presidência da República e um candidato ao Senado. "O esclarecimento é necessário, a fim de que este Juízo possa verificar a pertinência e relevância da prova (
), porque pode influenciar indevidamente em campanhas eleitorais, efeito que não pode ser admitido em processo judicial", diz um trecho do despacho.
A Justiça também mandou intimar a Petrobras para que apresente em 30 dias uma extensa relação de informações e documentos sobre a construção da refinaria Abreu e Lima.
Em 2008 foi assinado um "termo de adiantamento de tarifas" portuárias firmado entre Petrobras, Estado de Pernambuco e Porto de Suape, para que recursos da estatal fossem antecipados e destinados a obras de Abreu e Lima. Além de Costa, o termo teria sido assinado por Campos, então governador, e Coelho, presidente do Porto de Suape na época. A Controladoria Geral da União (CGU) abriu no mês de junho um processo para apurar estes repasses.
"Eles continuam como testemunhas apesar do juiz ter solicitado que em cinco dias a defesa diga a motivação para esta indagação. Não é razoável o que o juiz solicita pois a defesa não costuma conversar com testemunha antes de indicá-las. A testemunha dirá o que souber diante daquilo que lhe for perguntado. Toda esta acusação vem de uma ficção, não há nenhuma prova concreta sobre supostos desvios de recursos da refinaria Abreu e Lima, são conjecturas, suposições e, diante disso, um processo penal não se sustenta, a menos que ele (juiz) resolva julgar na base da opinião, no achismo", apontou Machado.
Já Antônio Figueiredo Basto, advogado de Alberto Youssef, informou que estão arroladas como testemunhas de defesa o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, o ex-diretor da Área Internacional da estatal Nestor Cerveró e o diretor de Serviços da petrolífera, Renato Duque. "A partir do momento em que você tem uma acusação de uma organização criminosa para desviar e lavar dinheiro em contratos da Petrobras, tenho que trazer as pessoas que controlavam a estatal anteriormente. Até porque o Paulo Roberto Costa não podia agir de forma isolada, era um colegiado. Preciso que diretores que ocuparam cargos em outras épocas venham prestar esclarecimentos destas decisões e de como foram feitos os contratos. Não vi e nem reconheci nos autos uma prova concreta que indicasse o Youssef com capacidade para atuar dentro da Petrobras ou influenciar em decisões sobre a Abreu e Lima e tantos outros empreendimentos", afirmou Basto.
Procurada pela FOLHA, a assessoria de imprensa do candidato Eduardo Campos informou, por meio de nota, que não recebeu qualquer notificação oficial sobre o caso e que "quem está mais capacitado para falar da atuação de Paulo Roberto Costa na Petrobras são as pessoas que o nomearam e o mantiveram no cargo" (colaborou Mariana Franco Ramos)


