Edmar trocou empresa para usar verba
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terça-feira, 17 de março de 2009
Luciana Nunes Leal e Denise Madueño<br> Agência Estado 
Brasília - O deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) substituiu uma empresa de sua propriedade por outra, entre 2007 e 2008, na contratação de serviços de vigilância com a verba indenizatória. Notas fiscais analisadas ontem pela comissão de sindicância da Corregedoria que investiga se houve irregularidades nas despesas mostram que, em 2007, a verba indenizatória foi paga à Empresa de Segurança Itatiaia Ltda. Em 2008, a prestadora de serviço foi a Ronda Equipamentos e Serviços de Segurança Ltda. As duas empresas estão declaradas no Imposto de Renda de 2006 do deputado. Moreira será ouvido hoje pela comissão.
As notas eletrônicas indicam serviço de vigilância e começara a ser emitidas de abril de 2007 em diante. Os valores vão de R$ 9.600 a R$ 15 mil, valor máximo mensal da verba indenizatória. A comissão aguarda informações de varas de falência, de cartórios de registro e de juntas comerciais de Minas Gerais e de São Paulo para responder a três dúvidas principais: se as empresas estavam em pleno funcionamento em 2007 e 2008, sendo capazes de prestar serviços de vigilância; se tinham solidez financeira ou funcionavam apenas como fachada e a participação societária de Edmar Moreira em cada uma delas. Os deputados investigam se foi decretada a falência da Itatiaia e, por isso, a empresa foi substituída pela Ronda no contrato firmado com o gabinete de Moreira. Em 2007 e 2008, as duas empresas receberam pouco mais de R$ 130 mil, equivalentes a 36% dos R$ 360 mil a que cada deputado tem direito em dois anos (ou R$ 15 mil por mês).
Se ficar comprovado que as empresas não tinham estrutura para prestar serviços de segurança nos valores declarados nas notas fiscais, o deputado poderá responder a processo de cassação de mandato por recebimento de vantagens indevidas, o que fere o Código de Ética e Decoro Parlamentar.
No depoimento de hoje, Edmar Moreira será questionado pelos colegas sobre os motivos que o levaram a contratar suas próprias empresas de segurança. Os parlamentares querem esclarecer se houve realmente prestação de serviços de vigilância - e neste caso, que tipo de segurança e por que foi necessária - ou se a contratação serviu apenas para repasses de recursos públicos da verba indenizatória para o próprio parlamentar ou seus sócios, em uma espécie de complementação de salário sem pagamento de impostos.
A investigação da corregedoria corre sob sigilo. Ontem, o corregedor, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), disse que é irresponsável apontar indícios de irregularidades sem o parlamentar ser ouvido.
Na defesa prévia que encaminhou à Corregedoria, Edmar Moreira não entra no mérito dos pagamentos nem das empresas contratadas. Diz apenas que o ato da Mesa Diretora que normatiza o uso da verba indenizatória não faz qualquer restrição às empresas prestadoras de serviço. Para ACM Neto, no entanto, este argumento não é suficiente. O ato da mesa não prevê expressamente a proibição (de contratação de empresas de propriedade do deputado), mas não será o único elemento a ser examinado. Vamos examinar também à luz do Código de Ética e da Constituição, disse o corregedor, sem dar maiores informações sobre o conteúdo das notas.
A comissão, formada pelo corregedor e pelos deputados Osmar Serraglio (PMDB-PR), Flávio Dino (PC do B-MA), Régis de Oliveira (PSC-SP) e pelo relator José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP) é unânime na proposta de que, ao final desta investigação, a Mesa Diretora adote como regra a proibição de que deputados usem a verba indenizatória para contratação de suas próprias empresas. Deve haver uma decisão clara proibindo expressamente esse tipo de contrato, disse ACM Neto.


