Ecovia transfere aumento no pedágio para amanhã
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segunda-feira, 01 de dezembro de 2003
Ellen Taborda<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Ecovia Caminho do Mar adiou o aumento das tarifas de pedágio da zero hora de hoje para amanhã. A decisão foi anunciada no início da noite de ontem. O procurador geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, considerou a decisão ''sensata'', mas manteve a ameaça de intervenção, com a presença da Polícia Militar (PM), caso o pedágio seja reajustado.
Segundo o diretor regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto, a concessionária decidiu esperar que o governo seja notificado de uma decisão da 9 Vara da Justiça Federal, que respaldaria o aumento das tarifas à revelia do Departamento de Estradas e Rodagem (DER). ''A partir daí, o governo não poderá mais afirmar que desconhece a decisão'', afirmou. A ABCR espera também para hoje uma decisão da Justiça com relação a ações de outras concessionárias, que deram entrada na última sexta-feira.
A Ecovia que tem como um dos sócios o empreiteiro Cecílio do Rego Almeida, pai do diretor geral do Detran, Marcelo Almeida (PMDB) tinha decidido reajustar as tarifas em 31% a partir da zero hora de hoje por conta do despacho do juiz federal substituto Paulo Cristóvão de Araújo Silva Filho, que remeteu o processo para Justiça Federal de Paranavaí. No despacho, o juiz citou que no ano passado já houve decisão similar favorável à Ecovia, quando um reajuste de 11% foi concedido judicialmente mesmo sem a homologação do DER.
Durante todo o dia, o governo do Estado manteve a posição de usar policiais militares para evitar o reajuste. De acordo com o assessor jurídico do governo, Pedro Henrique Xavier, não houve decisão judicial alguma que justificasse o aumento. ''Se a Ecovia insistir nisso, estará infringindo a concessão. Nós vamos coibir esse abuso'', afirmou.
Os motoristas reclamavam ontem do reajuste, mas não tinham esperanças de que ele pudesse ser evitado. ''O problema é que o povo é muito pacífico e não vai fazer nada para mudar isso'', desabafou o empresário Marcelo Bozza, 37 anos.
O jornalista Edenelson de Lima, 38, questionou os lucros das concessionárias. ''Veja só quantos carros passam pela praça de pedágio por segundo'', constatou. O empresário Rogério Verderoce Vieira, 35, disse não acreditar que o governo vá impedir o reajuste. ''Se não aumentar agora, aumenta depois. O governo já falou que iria encampar o pedágio e nada aconteceu.'' O comerciante José Pandini, 39, afirmou não ser contra o pedágio, lembrando que a estrada era muito mal conservada antes. ''Mas o reajuste não é justo'', reclamou.


