Economista prevê crise para FHC
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2001
Marcia Furlan Agência Estado De São Paulo 
O economista Fábio Pina, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fcesp), acredita que, após a confusa sucessão da presidência da Câmara e do Senado, o presidente Fernando Henrique Cardoso enfrentará um período de difícil governabilidade. Isto porque deve ter início agora uma intensa disputa de poder entre os três principais partidos PSDB, PMDB e PFL pela manutenção dos espaços que possuem. Por isso, na opinião dele, o presidente afirmou, inteligentemente, há cerca de seis meses, que o período de reformas tinha acabado. Vai ser muito difícil aprovar qualquer coisa agora, disse ele.
Segundo o economista, o PFL, fragilizado, lutará para não perder mais do que perdeu. O PMDB, que renasceu após um longo período de ostracismo, tentará recuperar espaço. O PSDB vai, de um lado, querer capitalizar a vitória de Fernando Henrique neste embate e usufruir da popularidade dele, que deve começar a crescer com os melhores resultados na área econômica. De outro, cobrará mais medidas sociais, principalmente da ala que sofre de sentimento de culpa pelo esquecido passado de esquerda.
Na opinião de Pina, o novo quadro dificulta uma coalizão para as eleições de 2002 e facilita a trajetória da oposição. Cada partido deve querer sair com candidato próprio, o que incentiva a entrada, na disputa, do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PPS-CE). Ao passo que, se os partidos aliados do governo saíssem unidos deste episódio e se concentrassem em torno de um só nome, poderiam forçar um aliança da oposição no primeiro turno, aumentando as chances do candidato. Se esta coalizão fosse forte, poderia dar um pau na oposição no primeiro turno, completou.
Já o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, afirmou ontem que o governo recebe as vitórias dos novos presidentes do Senado e da Câmara como uma manifestação da autonomia dos partidos no Congresso. Segundo Ferreira, o governo não ganha nem perde porque não foi protagonista da disputa. A maioria do governo não é eventual e não foi construída apenas com base nas alianças partidárias, argumentou.


