Economista espera outra opção além do PT e PSDB
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sábado, 20 de maio de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
''A característica mais evidente da política brasileira contemporânea é a volatilidade. Os acontecimentos se sucedem rapidamente no cenário nacional e não há correntes estáveis de opinião''. É desta forma que o professor de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), César Benjamin, analisa o caldeirão político que precede as eleições gerais deste ano.
Para Benjamin que veio a Londrina esta semana como palestrante do Encontro de Líderes Públicos não está claro se os temas que dominaram o noticiário nos últimos meses, entre eles o mensalão, a crise da Bolívia e a onda de rebeliões carcerárias em São Paulo, predominarão na campanha.
''Alguma influência, é claro que vão ter, mas os elementos da eleição podem mudar muito até lá. Quem avalia que já estão decididos, pode errar redondamente'', analisa. Além disso, o professor crê que a heterogeneidade do eleitorado faz com que cada assunto seja assimilado de forma específica pelos diferentes grupos sociais.''No caso do mensalão, sabe-se que o Lula foi prejudicado de forma mais intensa nas camadas mais altas da população. Mas, ainda não se pode dizer como a opinião pública leu a crise da segurança em São Paulo e da Bolívia''.
De acordo com o professor, dois fatores contribuem para a volatilidade no debate político: o processo de despolitização da população e a desorganização das instituições.''Hoje em dia tudo pode mudar de uma semana para outra'', diz.
Crítico da política econômica ortodoxa vigente desde a era tucana, César Benjamin, que foi filiado ao PT até meados da década de 90, acha que o maior desafio do País é a apresentação de uma terceira via política.''Atualmente, a oposição e situação PT e PSDB são dominadas pelos conservadores. Seria uma mediocrização se a discussão eleitoral fosse apenas sobre quem roubou ou errou mais. Precisamos de uma nova via para forçar o debate sobre projetos e reformas estruturais do País''.
Para ele, a indicação do instituto DataFolha de que 49% dos eleitores ainda não têm candidato, mostra uma forte rejeição ao presidente Lula, e, ao mesmo tempo, espaço de crescimento para novas candidaturas.
As alternativas mais viáveis para uma terceira via, segundo ele, seriam o senador Pedro Simon. ''Se o PMDB renunciar ao projeto regional e lançar candidato a presidente'. Além da senadora Heloísa Helena (Psol); o senador Cristóvão Buarque (PDT); e o deputado federal Roberto Freire (PPS). O ex-governador do Rio de Janeiro, Antony Garotinho, viu suas chances naufragarem juntamente com a patética greve de fome realizada no início do mês.


