Economia precária está matando Ortigueira
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quinta-feira, 07 de agosto de 2003
Giovana Kindlein<br>Reportagem Local 
O terceiro maior município em extensão territorial do Paraná, Ortigueira, a 113 km ao sul de Apucarana, é, ao mesmo tempo, a pior cidade para se viver no Estado, em termos de qualidade de vida. ''Cada ano que passa, a situação vem apertando mais'', afirma a prefeita Marlene de Oliveira Mattos de Pádua, do Partido Republicano Progressista (PRP). As finanças municipais também sofrem com a estagnação econômica. ''Está preocupante'', reconhece ela, mas evita falar do total dos gastos do município, cerca de R$ 300 mil por mês a mais do que a receita.
Em último lugar, na 399 posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), feito pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Ortigueira carece de atendimento básico em áreas essenciais, como saúde e educação. ''Estamos aguardando recursos prometidos pelo governo'', diz esperançosa. A penúria é tanta que seus habitantes abandonam Ortigueira para tentar a sorte em centros maiores.
De acordo com o Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE), em 1996, a população era 28.731 habitantes. Em 2000, reduziu para 25.180 habitantes. Ao invés de aumentar, a taxa de crescimento caiu em menos 3,24 %. Fato que incide sobre a arrecadação dos impostos, diminuindo os recursos do município.
Por conta disto, a prefeita enfrenta contrariedades de toda ordem. A receita bruta do município gira em torno de R$ 700 mil e a queda nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), segundo Marlene, chegou a 42% no último mês. Grande parte dos problemas, diz ela, tem origem na grande extensão territorial do município com 2.446 quilômetros quadrados.
Somente com transporte escolar, informa Marlene, a administração gasta cerca de R$ 130 mil por mês, serviço que compreende 112 linhas terceirizadas para 57 comunidades e quatro distritos. ''Essa é a maior despesa. Não temos como manter este serviço sem a ajuda do Estado'', observa. O total das despesas chega a casa de R$ 1 milhão.''Estamos tentando controlar as contas municipais,'' diz preocupada em não deixar débitos para a próxima administração, por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Insistiu em em dizer que ''a situação é preocupante''.
Mas revela que decidiu encarar o mandato como prefeita para buscar melhorias na área da saúde, da educação e da segurança da comunidade. Conforme o IBGE, a taxa de mortalidade infantil em Ortigueira chegou a 43,08 óbitos para cada mil crianças nascidas em 1998. No começo de julho deste ano, o governador Roberto Requião (PMDB) implantou na cidade o programa ''Leite das Crianças'', que distribui um litro de leite diariamente para quase mil crianças carentes na faixa etária entre seis meses e três anos de idade. O índice de mortalidade entre os índios das aldeias Mococa e Queimadas também é alto, três vezes maior que o do resto do Paraná, calculado em 16 mortes em cada mil nascimentos. Neste ano, a administração municipal aumentou as equipes do Programa Saúde da Família, apesar da distância entre a sede do município e as comunidade,
Porém, Marlene já adotou como medida de contenção de gastos a redução do expediente para quatro horas durante 90 dias e pretende seguir as orientações da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), caso a entidade mantenha a decisão de declarar moratória a partir do próximo dia 25.


