Arquivo FolhaBresser Pereira: economia será sentida primeiro nos estados e municípiosA reforma administrativa poderá significar uma economia de R$ 8,6 bilhões para os tesouros federal, estaduais e municipais, se aprovado o dispositivo que prevê demissão de servidores públicos por excesso de gastos com pessoal. Este valor equivale a 1,18% do PIB, segundo dados que o ministro da Administração, Luiz Carlos Bresser Pereira, tem em seu computador e que utiliza nas conversas reservadas com aliados governistas.
Embora trabalhe com esta estimativa da equipe econômica, o Ministério da Administração não arrisca nenhuma cifra referente à economia que o governo federal teria a curto prazo com a reforma administrativa. Bresser Pereira sempre lembra que não há excesso de servidores públicos na esfera federal. Segundo o ministro, o que existe é o inchaço de funcionários em áreas de apoio, enquanto há carências em setores técnicos do governo.
Os dados mais recentes do Ministério da Administração registram um comprometimento da receita líquida do governo federal em 42,02% com pagamento de salários para seus 1,1 milhão de servidores ativos e inativos. O governo mostrou não depender da reforma administrativa para reduzir ainda mais seus gastos com pessoal ao decidir demitir 33 mil servidores não-estáveis, o que vai lhe render uma economia anual estimada em R$ 357 milhões.
‘‘O efeito imediato da reforma administrativa será nos Estados e municípios’’, explica o ministro Bresser Pereira. É que, nas esferas estaduais e municipais, a possibilidade de demissão de servidores públicos para ajustar os gastos com folha de pessoal ao limite de 60% da receita, previsto em lei, é aguardada com muita expectativa. É nesse cenário que a equipe econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso projeta uma economia bilionária, caso todos os Estados e municípios venham a enxugar o quadro de pessoal para ajustar suas despesas ao limite legal.

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