O auditor Hélio Obara, diretor-geral da Receita do Paraná entre julho de 2013 e julho de 2014, disse ter conhecido Abi neste período. "Ele esteve, se não me falha a memória, umas duas ou três vezes, para falar com o secretário, e eu tive a oportunidade de ser apresentado a ele."
O auditor José Aparecido Valêncio também relatou ter sido apresentado a Abi, porém, tal fato ocorreu em um restaurante. Valêncio foi inspetor-geral da Receita entre julho de 2013 e junho de 2014, quando assumiu a direção-geral, até maio de 2015. Ele pediu exoneração do cargo após ter sido citado pelo delator, que teve acordo de colaboração premiada firmado em maio de 2015. Os auditores Gilberto Favato e Lídio Samways Junior, que tinham cargos de assessores, também interrogados em Curitiba, disseram que não conheciam Abi.
Em linhas gerais, Souza acusa a cúpula da Receita – diretor-geral, inspetor-geral e seus assessores – de ficar com cerca de 10% da propina que era arrecadada em Londrina. Disse, por exemplo, que ele próprio foi a Curitiba levar dinheiro para Márcio Albuquerque de Lima, que foi delegado-chefe em Londrina entre janeiro de 2011 e julho de 2014 e promovido a inspetor-geral de Fiscalização, cargo que ocupou entre julho de 2014 e março de 2015, poucos dias antes de ser implicado na Publicano. É apontado pelo MP como líder da suposta organização criminosa.
Sobre as acusações de Souza, os seis auditores afirmaram que são falsas e que não o conhecem ou apenas tiveram rápidos contatos. "Eu jamais tive qualquer contato com o delator e pelo que a gente vê nos autos, ele utilizou-se da hierarquia da Receita e envolveu essas pessoas em todos os fatos", declarou Favato. "O sentimento é de indignação", acrescentou. "É uma mentira deslavada para tornar a delação dele mais bonita. Tenho certeza que seremos absolvidos, mas essa marca fica. Quem vai repor isso? Apenas a palavra de um delator desqualificado, sem nenhuma prova", disse Samways Júnior. (L.C.)

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