E se o voto fosse livre?
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terça-feira, 30 de outubro de 2018
Luiz Geraldo Mazza 
E se o voto fosse livre?
Se o voto não fosse obrigatório, como democratas mais exigentes reclamam, o que daria? Quase o mesmo, pois a taxa de absenteísmo com 21,3 milhões é o contraponto claro à polarização havida que somados aos 7,4 milhões nulos e 2.1 milhões brancos evidenciam resistência clara à solução colocada. Quer dizer, num pleito de radicalismo e de máximo engajamento há também a expressão do tédio, do niilismo e do ceticismo.
Nos números finais, 57,8% para Bolsonaro e 47% para Haddad, se expressa relativo equilíbrio, posto que na área mais dinâmica do país, o Sudeste, o ganhador fizesse 65,4% dos votos contra 34,6% do litigante. Só no Nordeste o petista levou a melhor, com 69,6% a 30,4%. Votos nos extremos, e o fato de a eleição ter avaliado mais aparências do que ideias, já que nem debates tivemos, até porque não convinham ao líder disparado das pesquisas, o que houve foi um solapamento de rituais antigos e de suas lideranças, um chute no pau da barraca, gesto carregado de fúria, de raiva. Aos poucos as coisas se assentam, a bravata cede lugar à reflexão e todos retomam aqueles sagrados compromissos com a Constituição. Assim seja.
Ratinho se mexe
De 1982 para cá várias famílias se revezam no poder: os Richa, pai e filho; os Dias, Requião e Lerner e a derrota desses resíduos oligárquicos cria a obrigação para Ratinho Junior, que tanto se refere a esse fator, a projetar um salto à frente. Inegável que ele construiu essa liderança com as eleições de deputado estadual e federal e também com o registro da derrota naquele pleito municipal de Curitiba, e ela, a adversidade, também ensina.
Sua ligação com Bolsonaro abre perspectiva para que se possam encaixar as propostas da terra, das quais a massa crítica disponível num comitê coordenado por Reinhold Stephanes, o que mais ministérios até hoje encarou, reúne também aquilo que o empresariado coligiu ao longo do tempo. Teve influência forte na votação de Bolsonaro e na do senador Oriovisto Guimarães, e também, na bancada estadual e federal. O ajuste com Alvaro nas negociações tirou Osmar Dias da competição.
Sabe que a situação do Paraná, embora distanciada da havida nos outros centros desenvolvidos do país, é delicada na perspectiva fiscal: estamos amarrados de tal forma que não há recurso para concursos públicos e nomeações numa situação congelada e há necessidade de novos quadros em vários setores que se mantêm sob ocupação de pessoal que recebe a gratificação de permanência como compensação. A decisão do governo, o atual e o anterior, na paralela de infraestrutura por um porto privado em Pontal do Sul, é uma sinalização de investimento para fortalecer e ao mesmo tempo diversificar nossos terminais, a despeito dos ônus ambientais.
Poucas ocorrências
Na eleição houve o registro das poucas ocorrências policiais, uma delas em Porto Amazonas, na Região Metropolitana de Curitiba, em que o eleitor ficou meia hora na cabine e apurou-se que usava fotografia, o que, descoberto, deu origem à sua prisão. Houve 76 ocorrências, a maior parte de infrações como a da boca de urna ou ainda o uso de identificação por determinada candidatura.
Meio ambiente
Na Ilha do Mel, que anda mal de atracadouros e que provocam acidentes com turistas e moradores da região, está, desde a semana passada, às voltas com um problema ambiental: um acidente com a draga em operação provocou derramamento de óleo na baía e ainda na segunda-feira (29) o Instituto Ambiental do Paraná fazia operações na área para saber a extensão desse impacto na flora e na fauna.
Festerê
Todas as entidades conservadoras festejam com entusiasmo a vitória de Bolsonaro em função de tonalidades liberais não muito claras do seu discurso. Associação Comercial,. Federação das Indústrias, Fecomércio (emplacou o vice na chapa do governo estadual) e Federação da Agricultura, todas, enfim, sincronizadas nas celebrações.
Balanço
Uma curiosidade: o candidato do PT, Fernando Haddad, venceu em mais cidades do que o seu adversário Jair Bolsonaro: foram 2.792 contra 2.757. Já nas unidades federativas Bolsonaro ganhou em 16 contra 11 de Haddad. Em Santa Catarina, nas grandes cidades Bolsonaro bombou: 84% em Blumenau, 83,2% em Jaraguá do Sul, 83,2% em Joinville, 81,9% em Criciúma e 81,4% em Itajaí.Em Londrina, no Paraná, Bolsonaro fez 80,4%.
Folclore
Coronel da reserva do Corpo de Bombeiros, Comandante Moisés (Carlos Moisés da Silva) se elegeu governador de Santa Catarina com 71,09% dos votos e valeu-se de muitas das alegorias de Bolsonaro para ganhar, "As eleições mudaram, o povo mudou e a forma de fazer política também vai ter que mudar", resumiu com seu estilo tímido.


