O presidente Fernando Henrique Cardoso inicia mais uma semana com dificuldades na área política e está preocupado que as denúncias feitas na CPI dos bancos possam afetar a credibilidade do País no exterior. Além dos governadores, aliados políticos e até mesmo ministros do governo querem uma ação mais enérgica de Fernando Henrique. Todos pretendem aconselhar o presidente a retomar o comando político do País, deixando de ficar a reboque dos problemas, como tem acontecido no momento.
No final de semana, o presidente ouviu de vários interlocutores queixas em relação a isso. O próprio ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, que se reuniu com Fernando Henrique Cardoso no sábado e ontem, levou ao presidente a necessidade do governo agir com mais firmeza.
Fernando Henrique tem reiterado a todos os seus interlocutores que é preciso manter transparência absoluta em relação à CPI e que se houver culpados, que eles devem ser punidos. Em todo esse processo, o presidente tem uma preocupação adicional, que tem revelado a seus assessores: de que não sejam cometidas injustiças, ou seja, que não se punam pessoas apenas pelas aparências.
Na semana que vem, o presidente faz mais uma viagem ao exterior, para tentar mostrar a recuperação do País. Ele estará em Washington e Nova York, se reunindo com banqueiros. Para o presidente, é preciso evitar, a todo custo, que os fatos divulgados pela Comissão Parlamentar de Inquérito possam afetar a credibilidade do Banco Central e, consequentemente, a imagem do País no exterior. Fernando Henrique tem reiterado em suas viagens internacionais que o Brasil se recuperou mais rapidamente do que se podia imaginar do ataque especulativo sofrido no início do ano.

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