O próprio autor da ação judicial contra o Tribunal de Contas considera a decisão do Tribunal de Justiça de difícil execução. ‘‘É o samba do crioulo doido’’, classificou Egas Mourão em entrevista à Folha. Nos últimos 15 anos, desde que o tribunal criou a figura do consultor técnico, centenas de pessoas foram nomeadas, exoneradas e aposentadas nesse cargo.
Em avaliação da assessoria jurídica do TC, as pessoas que hoje, teoricamente, perderiam seus cargos, são apenas as que foram nomeadas pela três portarias agora consideradas nulas pelo TJ. Ainda na visão da assessoria, a decisão não coloca automaticamente o advogado em um desses postos.
Nesse raciocínio, ele teria que mover nova ação na Justiça para provar que, àquela época, reunia as condições de antiguidade e merecimento para fazer jus à promoção.
Ao longo dos anos, a atitude de Mourão sempre foi interpretada no TJ como uma afronta à autoridade dos conselheiros. Em resposta a um requerimento do funcionário que pedia a anulação das nomeações, ainda em 85, a assessoria jurídica considerou o pedido ‘‘ofensivo’’ e com a intenção de ‘‘agredir a direção desta Casa’’.
Hoje, Mourão diz que seu objetivo é incorporar a diferença salarial entre as duas funções à sua aposentadoria. Qual seria o valor dessa diferença, atualizado e com juros acumulados em 15 anos? ‘‘Nem Jesus Cristo sabe’’, responde o advogado. (V.D.)

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