Agência Estado
De Brasília
Embora o presidente Fernando Henrique Cardoso e os seus ministros façam questão de anunciar oficialmente que a hora é de acalmar os ânimos para que se encontre o ponto de equilíbrio entre as forças políticas que apoiam o governo no Congresso, nos bastidores, o PSDB, partido do presidente, avisa que a ofensiva está apenas no início.
O presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL- BA), por sua vez, também não tem deixado por menos, reagindo a cada investida dos tucanos.
O resultado disso tudo é que o casamento entre PFL e PSDB está ameaçado. Os mais céticos acreditam, no entanto, que este é apenas um daqueles tradicionais problemas do casamento: a famosa crise dos sete anos que, neste caso, veio dois anos mais cedo. ‘‘O bom senso vai prevalecer, como nos casamentos em que há muitos interesses em jogo, de parte a parte’’, comentou um auxiliar de Fernando Henrique.
Enquanto os ânimos estiverem acirrados, o presidente vai evitar dar qualquer declaração. Para isso, Fernando Henrique comunica que delegou ao seu coordenador político e ministro-chefe da Secretária-Geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, a administração dessa crise que está indo mais longe do que o Palácio do Planalto gostaria.
‘‘As águas estão turvas, mas devem limpar com o passar dos dias’’, comentou um auxiliar do presidente que acredita que a solução, agora, deva ser deixar passar o carnaval para que as mágoas, de lado a lado, se dissolvam. Apesar da fidelidade do PFL até agora nas votações em favor do governo no Congresso, o casamento entre os presidentes da República, Fernando Henrique Cardoso e do Congresso, Antônio Carlos Magalhães, é considerado ‘‘um casamento aberto’’. Nem o senador Antônio Carlos é fiel ao presidente e reza na cartilha dele, nem Fernando Henrique concorda com tudo que o líder do PFL defende.
Os dois vão vivendo entre ‘‘tapas e beijos’’, brincou um outro assessor do presidente. Na avaliação desse auxiliar, a guerra em torno do que vai acontecer por causa do desafio do PFL em aprovar o salário mínimo correspondente a US$ 100 – que Fernando Henrique ameaça vetar e Antônio Carlos Magalhães adverte que derruba o veto no Congresso – será mais um round nessa queda de braço entre pefelistas e governistas. A disputa entre os dois começou com Antônio Carlos defendendo a criação do fundo de pobreza, continuou com as ameaças de aprovação da emenda que limita a edição de Medidas Provisórias pelo presidente da República e culminou com a defesa do salário mínimo de US$ 100.