Curitiba - "Se cobram nome e CPF para divulgar os dados (contracheque dos funcionários públicos), copiaram o péssimo modelo dado pela Câmara Federal e pelo Senado da República. É uma meia transparência, que atende ao discurso oficial, mas na prática não demonstra a intenção de ser efetivamente transparente", analisa Gil Castelo Branco, secretário-geral da entidade Contas Abertas, especializada no controle social dos gastos públicos. "O exame dos salários não é para fofocar, tem o intuito de fazer uma crítica à estrutura de cada salário", explica o analista.
Para Branco, a intenção do Executivo federal, ao regulamentar a Lei de Acesso à Informação, era associar o nome do funcionário ao trabalho que ele exerce e quanto ganha de remuneração. "Isso permite que o pesquisador compare pessoas com a mesma função, mas que recebem valores diferentes. Mesmo com as dificuldades de acesso, os absurdos vão aparecer, como o mordomo do Renan Calheiros (PMDB-AL) que ganhava R$ 18 mil no Senado. Alguém passou pelo gabinete, viu o nome no crachá e consultou o sistema. São esses absurdos que desmoralizam", lembra.
Apesar da acesso complicado à remuneração dos funcionários, ontem o portal da transparência do governo do Paraná bateu o recorde de acessos. Até as 17 horas, 3.480 consultas foram feitas, 14 vezes mais que no dia anterior. "As pessoas podem fazer sugestões para a Ouvidoria do governo", disse a secretária estadual da Administração e Previdência, Dinorah Nogara, sobre melhorias no sistema. A administração defende que "o sistema implantado, com cerca de 300 mil nomes de servidores, é o mais adequado para evitar sobrecarga ou demora no processamento". Sobre a exigência de nome e CPF, Dinorah defendeu, sem entrar em detalhes, que isso é autorizado pela legislação. (J.L.J.)

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