Brasília - O deputado José Dirceu (PT-SP) reagiu irritado ao relatório de Júlio Delgado (PSB-MG) pela sua cassação, dizendo que ele é produto de ''má-fé''. Antes, em sua defesa no Conselho de Ética, disse: ''Não sou corrupto''. E que não iria fugir das responsabilidades como muitos fugiram. ''Eu não fujo''. ''Acredito que o voto do relator continua na linha de buscar uma prova para me cassar. Ou seja, me condenaram, buscam uma prova. Na verdade, é um voto de má-fé'', declarou Dirceu em sua primeira reação depois da leitura do parecer.
Mais tarde ponderou que ''respeitava'' o trabalho de Delgado. Antes de conhecer o parecer, Dirceu apresentou uma defesa oral no Conselho, procurando transformar as acusações que pesam contra si em um julgamento político do governo e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sem citar nomes, Dirceu insinuou que membros do alto escalão do governo têm responsabilidade política pela crise no PT, mas não a assumem.
Para reforçar sua linha de raciocínio, o deputado traçou um paralelo entre o momento atual e ações anteriores para derrubar governos democráticos. No que já é tradição entre governistas na atual crise, o petista citou o ''mar de lama'' que derrubou Getúlio Vargas (1954), as tentativas de desestabilizar Juscelino Kubitschek (1956-60) e a derrubada de João Goulart (1964).
Ao detalhar sua responsabilidade política, Dirceu disse que se restringe aos atos praticados enquanto esteve na direção do PT. Mas ele se recusa a responder por qualquer coisa que tenha sucedido com o partido no período em que esteve na Casa Civil, apesar da relação política próxima que manteve com a cúpula petista. ''Eu fui presidente do PT, sou responsável pela sua construção nos últimos dez anos, pela eleição do presidente Lula. Mas não pelos atos que a direção do PT tomou após dezembro de 2002, quando deixei a Executiva.''
Dirceu aparentou tranquilidade desde a hora em que entrou no plenário do Conselho para acompanhar a sessão. Ele só se alterou um pouco ao falar da imprensa. Disse que foi transformado ''da noite para o dia'' em chefe de quadrilha e mostrou-se magoado ao ser chamado de ''Maluf da esquerda''.

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