Brasília O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou ontem no Congresso, na abertura dos trabalhos legislativos de 2003, o povo brasileiro a enfrentar o período de maior dificuldade que vem pela frente com a possibilidade de uma nova guerra no Oriente Médio. ''É hora de cada brasileiro pensar menos em si mesmo e mais no País'', afirmou.
O presidente disse que a ameaça de guerra já alterou o quadro de melhoria, que vinha sendo observado na economia brasileira: o petróleo já superou a barreira dos US$ 35 por barril, o dólar voltou a subir e o risco Brasil, que vinha caindo desde o fim do ano passado, interrompeu o processo de redução. ''São mais pedras no caminho que teremos que eliminar'', afirmou Lula.
Lula disse que o grande desafio do governo nessa conjuntura desfavorável é fazer o melhor que puder com os recursos que dispõe. Segundo ele, o país, para ser bem-sucedido no enfrentamento dessas dificuldades, precisa da conjunção de esforços dos três poderes da República e disse que cada parlamentar deve estar comprometido com esse processo. ''Só vamos mudar o Brasil juntos, fazendo convergir democraticamente os poderes da República'', afirmou.
Em sua mensagem ao Congresso, o presidente reafirmou o compromisso de ''exercitar a democracia em sua plenitude''. Segundo ele, a sociedade brasileira nunca esteve tão mobilizada para enfrentar os seus desafios. ''O Brasil tem que aproveitar essa oportunidade porque vive um momento político muito especial'', disse. Lula voltou a afirmar que a estabilidade da moeda está ameaçada e o vírus da inflação voltou a ser um perigo para a economia. O presidente reconheceu que as medidas tomadas recentemente para contingenciar os recursos orçamentários são duras, mas a necessidade de fazer o superávit ''é indispensável para assegurar o equilíbrio da dívida pública''.
O presidente disse que o Congresso será o palco dos grandes debates sobre as reformas estruturais, entre as quais citou a previdenciária, tributária, trabalhista, política, agrária, além de outras medidas que terão efeito sobre a economia. Lula disse que as propostas serão negociadas e garantiu aos parlamentares que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, instalado por ele na semana passada, será um órgão de assessoramento, que ''não vai substituir tampouco relativizar o poder do Congresso Nacional'', afirmou.
Lula disse ainda que não existe um Brasil do Poder Executivo, outro do Legislativo e outro do Judiciário, mas sim um Brasil de 170 milhões de pessoas que têm urgência de conquistar sua cidadania. Ele disse que a reforma previdenciária é urgente, pois se o seu custeio não for equacionado, em pouco tempo não haverá dinheiro para pagar os benefícios. Sobre tributos, Lula destacou a necessidade de que a reforma venha a fortalecer o pacto federativo. Segundo ele, a reforma deve desonerar a produção, simplificar a arrecadação e aumentar a eficiência da economia, ajudando na distribuição da renda.

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