Arquivo FolhaFHC: ‘mais fácil do que eu pensava’O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, em entrevista a correspondentes estrangeiros, que é fácil governar o País. ‘‘Governar o Brasil é bem mais fácil do que eu pensava’’, declarou, em resposta a uma pergunta sobre as dificuldades de adotar medidas impopulares, como o aumento da carga tributária. A outro jornalista, que perguntou se não temia o efeito desfavorável do pacote fiscal sobre sua popularidade e as consequências à campanha à reeleição em 98, respondeu: ‘‘O povo não julga com maldade, mas objetivamente, e não me perdoaria se eu ficasse aqui enganando e não fizesse o que faço, que é falar com clareza e com toda a firmeza.’’
Questionado sobre a presença do PFL na base governista, Fernando Henrique respondeu que seu estilo de fazer política é agregador. ‘‘Não estamos no momento de alimentar rusgas e nem é meu estilo fazer isso’’, disse após elogiar o PFL por ter ‘‘rompido com o regime militar para dar passagem à democracia’’. Segundo o presidente, o ‘‘Brasil não é a Europa’’. ‘‘Aqui não há alianças separadas entre socialistas e conservadores e eu não quero nem pensar em diminuir o número de pessoas que vão atravessar a ponte comigo.’’
Fernando Henrique afirmou que seu governo não pretende desmantelar o aparelho de Estado com a quebra da estabilidade do funcionalismo público. Ele defendeu a demissão de servidores nas categorias onde seja constatado excesso. Antes do encontro com os jornalistas, Fernando Henrique já havia dito, durante conferência para cerca de 400 oficiais generais das Forças Armadas, na Escola Naval, que não ‘‘faz sentido desmontar para depois remontar’’. ‘‘Já vi esse conto no passado e eu não sou a repetição do passado’’, garantiu.
Segundo ele, não houve recuo do governo na reforma administrativa. ‘‘Essa idéia de recuo e avanço dá a impressão de que o governo está de um lado e o País, de outro’’, declarou. ‘‘A decisão é a de examinar onde há gente sobrando, se essa gente é ou não indispensável.’’ Ele disse que a motivação do governo para insistir nas demissões no funcionalismo é racional. ‘‘O governo não pode agir com raiva, nem ter vontade de se vingar de ninguém’’, declarou.

mockup