É dada a largada: partidos se articulam para eleições municipais no PR
A um ano das eleições municipais, cinco maiores colégios eleitorais do Paraná devem lançar número maior do que os 34 candidatos somados que concorreram em 2016
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de outubro de 2019
A um ano das eleições municipais, cinco maiores colégios eleitorais do Paraná devem lançar número maior do que os 34 candidatos somados que concorreram em 2016
Guilherme Marconi - Grupo Folha 

Faltando menos de um ano para o primeiro turno das eleições municipais programadas para 4 de outubro de 2020, nos cinco maiores colégios eleitorais do Estado o cenário está aberto, com muitos pré-candidatos buscando visibilidade. As cidades paranaenses aptas a ter segundo turno são Curitiba (1.328.169 eleitores), Londrina (370.777), Maringá (274.680), Ponta Grossa (236.007) e Cascavel (219.437). Isso porque esses cinco municípios têm mais de 200 mil eleitores, regra definida pela legislação eleitoral.
E a tendência é que o número de prefeituráveis seja maior do que em 2016, quando 34 candidatos disputaram a prefeitura nos cinco maiores colégios eleitorais do Estado. Em Maringá, por exemplo, se a lista de pré-candidatos se confirmar o número poderá dobrar o da eleição de 2016, de cinco para até dez nomes. Em Londrina, a corrida à prefeitura teve oito candidatos há três anos, e a projeção é que essa quantidade na pior das hipóteses se repita em 2020.
Deverão tentar a reeleição os prefeitos da capital, Rafael Greca (DEM); de Londrina, Marcelo Belinati (PP); de Maringá, Ulisses Maia (PDT); e o atual prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos (PSC). Embora a maioria deles prefira não declarar abertamente a intenção, a busca pela reeleição é dada como certa. Já em Ponta Grossa (Campos Gerais), o prefeito Marcelo Rangel (Cidadania) acumula duas gestões consecutivas e o grupo político deverá buscar um sucessor.
MARINGÁ

Em Maringá (Noroeste), Ulisses Maia poderá ter novo embate com o ex-prefeito Silvio Barros (PP). Ambos disputaram o segundo turno em 2016. Mas também poderão esquentar a disputa o deputado estadual e ex-vereador Homero Marchese (Pros) e o deputado federal Ênio Verri (PT), que estão entre os nomes mais expressivos que se colocam na corrida. Segundo a assessoria do atual prefeito, Maia não comenta sobre reeleição. Questionado em entrevista à FOLHA publicada no dia 27 de setembro, o atual prefeito disse que está focado apenas no mandato. "Vou deixar para pensar nisso só no meio do ano que vem."
Silvio Barros é do mais tradicional núcleo político de Maringá. O irmão do deputado federal Ricardo Barros (PP) possui como trunfo ter sido o único prefeito reeleito na história da cidade (2004 e 2008). Ele perdeu a última eleição por diferença de 35 mil votos no segundo turno contra Maia, mesmo largando na frente no primeiro turno com 39% dos votos válidos. Depois disso, foi secretário de planejamento no governo Beto Richa (PSDB), quando sua cunhada, Cida Borguetti (PP), era vice-governadora.
À direita no espectro político, Homero Marchese se classifica como liberal na economia. Recentemente, no campo dos costumes defendeu o projeto Escola Sem Partido, que foi derrotado na Assembleia Legislativa. O advogado diz que a candidatura não está "100% definida", mas critica a atual gestão, que segundo ele teria endividado a cidade e adotado medidas populistas. Marchese irá enfrentar um questionamento dos eleitores por não completar os mandatos. Ele deixou a vaga de vereador para ocupar cadeira na AL e ficará só dois anos no mandato de deputado, caso eleito. "Certamente a população vai avaliar com naturalidade esse fator. Seria uma honra administrar a cidade", afirma.
O deputado federal Enio Verri disse em visita à FOLHA na semana passada que tentará pela terceira vez o cargo de prefeito. Em 2008, ficou em segundo lugar, mas acabou derrotado por Silvio Barros. Em 2012 também chegou ao segundo turno, mas novamente não conseguiu quebrar a hegemonia do grupo pepista, ao perder para Roberto Pupin (PP), então vice de Barros. Em 2018, o petista foi reeleito deputado federal com 62 mil votos.
Outros nomes que aparecem nas pesquisas de pré-candidatos: Dr. Batista (PMN), deputado estadual; José Luiz Bovo (DEM), ex-secretário de Fazenda no governo Cida; Wilson Quinteiro (PSDB), advogado e ex-deputado estadual; Eliseu Fortes (Patriotas), ex-procurador-geral do município da atual gestão; e Rogério Calazans (Avante), advogado e empresário. Se a lista se confirmar, Maringá terá o dobro de candidatos a prefeito em relação a 2016, quando cinco nomes disputaram o pleito.
CASCAVEL
Em Cascavel (Oeste), nomes tradicionais podem empurrar a disputa para o segundo turno. Paranhos poderá enfrentar o deputado estadual Marcio Pacheco (PDT), o deputado federal Evandro Roman (Patriotas) e até o ex-prefeito Edgar Bueno (PDT).
Aos 71 anos, Bueno já governou a cidade por três mandatos e passou pela Assembleia Legislativa. Para ser "tetra" prefeito terá parte em busca de novo partido, já que Pacheco é o candidato oficial e o provável candidato da legenda. "Ainda não decidimos, mas existe a possibilidade", informa. Uma legenda que pode abrigá-lo para a disputa é o PSDB, partido do filho, o ex-deputado estadual André Bueno.
Já Roman foi eleito deputado federal em 2014. Em 2018, bateu na trave, mas ficou como primeiro suplente e ocupa na Câmara dos Deputados a cadeira liberada por Ney Leprevost, licenciado para compor a equipe do governador Ratinho Junior (PSD). O deputado de Cascavel já foi secretário de Esportes no governo Beto Richa (PSDB) entre 2011 e 2014. A assessoria de imprensa de Roman confirma que a candidatura a prefeito é considerada "irreversível."
Já a assessoria de imprensa do prefeito Leonaldo Paranhos diz que embora em Cascavel a sucessão municipal esteja se antecipando, o prefeito tem afirmado que "o momento é de trabalhar e não de discussão de campanha eleitoral"'. Paranhos, que é do PSC, partido que já foi controlado por Ratinho Junior (PSD), terá quase certo o apoio do governador.
O policial federal e deputado estadual Márcio Pacheco também assume a pré-candidatura e diz estar com propósito firme para disputar novamente as eleições municipais. Pacheco está no segundo mandado na AL e já foi vereador em Cascavel.Em 2016 disputou a prefeitura pelo PPL e ficou em segundo lugar, com 56.260 votos. "Nas eleições de 2018, fui o deputado mais votado de Cascavel. O grupo político que represento fomenta nossa candidatura; e sinto no dia a dia, junto às pessoas, que esse também é o desejo da acompanha o nosso trabalho", diz Pacheco.
Com a bandeira "metal-agro" pela industrialização, o ex-vereador de Cascavel Nelsinho Padovani (PTB), filho do ex-deputado federal Nelson Padovani, também quer ser prefeito da cidade. "Conversamos com Alex Canziani (ex-deputado londrinense), entrei para o PTB para fortalecer o partido. Em Cascavel, além do agronegócio, queremos atrair a indústria metal-mecânica para alavancar o desenvolvimento industrial", afirma, em entrevista por telefone.
O vereador Paulo Porto (PCdoB) busca unir uma frente progressista na cidade. "Não podemos ficar reféns dos candidatos do Bolsonaro e do Ratinho", diz. Outros nomes em Cascavel são o professor e ex-reitor da Unioeste Marcos Vinicius Pires (PSB) - que já foi candidato a prefeito; o vereador Policial Madril (PMN) - bem votado para deputado em 2018 na esteira do discurso bolsonarista; e o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Cascavel Juarez Berté (DEM). A lista também pode superar a dos candidatos em 2016, quando sete nomes disputaram a prefeitura.
LONDRINA
Em Londrina, a lista é grande e já foi divulgada pela FOLHA em agosto com mais de oito siglas dispostas a entrar na disputa. Os deputados federais Boca Aberta (Pros) e Filipe Barros (PSL) se colocam na lista. O deputado estadual Tiago Amaral (PSB) e o ex-deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) também estão cotados. O grupo do ex-prefeito Alexandre Kireeff (Podemos) ainda testa nomes como o deputado federal Diego Garcia (Podemos), e os empresários Valter Orsi e Marcio Stamm. No PT, o nome colocado é do médico Odarlone Orente, quinto colocado em 2016. Ainda há outros pré-candidatos como André Trindade (Cidadania), que disputou o último pleito. O PSD, partido do governador, também trabalha com foco em candidatura própria e poderá ter o advogado Paulo Valle ou o vereador Felipe Prochet.
ELEITORADO
São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) é o sexto maior colégio eleitoral do Estado, e está a um passo da possibilidade de ter segundo turno. Com 191.729 títulos ativos, o município ainda está no limite da regra eleitoral. Foz do Iguaçu (Oeste) vem em seguida, com 178.563 eleitores.
O alistamento eleitoral e o voto no Brasil são obrigatórios para os maiores de 18 anos e facultativos para os jovens de 16 e 17 anos, para os idosos acima de 70 anos e para os analfabetos. Contudo, para votar em 2020 o eleitor deve estar em situação regular com a Justiça Eleitoral até o mês de maio.


