Imagem ilustrativa da imagem É dada a largada: partidos se articulam para eleições municipais no PR
| Foto: Marcos Zanutto

Faltando menos de um ano para o primeiro turno das eleições municipais programadas para 4 de outubro de 2020, nos cinco maiores colégios eleitorais do Estado o cenário está aberto, com muitos pré-candidatos buscando visibilidade. As cidades paranaenses aptas a ter segundo turno são Curitiba (1.328.169 eleitores), Londrina (370.777), Maringá (274.680), Ponta Grossa (236.007) e Cascavel (219.437). Isso porque esses cinco municípios têm mais de 200 mil eleitores, regra definida pela legislação eleitoral.

E a tendência é que o número de prefeituráveis seja maior do que em 2016, quando 34 candidatos disputaram a prefeitura nos cinco maiores colégios eleitorais do Estado. Em Maringá, por exemplo, se a lista de pré-candidatos se confirmar o número poderá dobrar o da eleição de 2016, de cinco para até dez nomes. Em Londrina, a corrida à prefeitura teve oito candidatos há três anos, e a projeção é que essa quantidade na pior das hipóteses se repita em 2020.

Deverão tentar a reeleição os prefeitos da capital, Rafael Greca (DEM); de Londrina, Marcelo Belinati (PP); de Maringá, Ulisses Maia (PDT); e o atual prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos (PSC). Embora a maioria deles prefira não declarar abertamente a intenção, a busca pela reeleição é dada como certa. Já em Ponta Grossa (Campos Gerais), o prefeito Marcelo Rangel (Cidadania) acumula duas gestões consecutivas e o grupo político deverá buscar um sucessor.

MARINGÁ

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| Foto: Marcos Zanutto

Em Maringá (Noroeste), Ulisses Maia poderá ter novo embate com o ex-prefeito Silvio Barros (PP). Ambos disputaram o segundo turno em 2016. Mas também poderão esquentar a disputa o deputado estadual e ex-vereador Homero Marchese (Pros) e o deputado federal Ênio Verri (PT), que estão entre os nomes mais expressivos que se colocam na corrida. Segundo a assessoria do atual prefeito, Maia não comenta sobre reeleição. Questionado em entrevista à FOLHA publicada no dia 27 de setembro, o atual prefeito disse que está focado apenas no mandato. "Vou deixar para pensar nisso só no meio do ano que vem."

Silvio Barros é do mais tradicional núcleo político de Maringá. O irmão do deputado federal Ricardo Barros (PP) possui como trunfo ter sido o único prefeito reeleito na história da cidade (2004 e 2008). Ele perdeu a última eleição por diferença de 35 mil votos no segundo turno contra Maia, mesmo largando na frente no primeiro turno com 39% dos votos válidos. Depois disso, foi secretário de planejamento no governo Beto Richa (PSDB), quando sua cunhada, Cida Borguetti (PP), era vice-governadora.

À direita no espectro político, Homero Marchese se classifica como liberal na economia. Recentemente, no campo dos costumes defendeu o projeto Escola Sem Partido, que foi derrotado na Assembleia Legislativa. O advogado diz que a candidatura não está "100% definida", mas critica a atual gestão, que segundo ele teria endividado a cidade e adotado medidas populistas. Marchese irá enfrentar um questionamento dos eleitores por não completar os mandatos. Ele deixou a vaga de vereador para ocupar cadeira na AL e ficará só dois anos no mandato de deputado, caso eleito. "Certamente a população vai avaliar com naturalidade esse fator. Seria uma honra administrar a cidade", afirma.

O deputado federal Enio Verri disse em visita à FOLHA na semana passada que tentará pela terceira vez o cargo de prefeito. Em 2008, ficou em segundo lugar, mas acabou derrotado por Silvio Barros. Em 2012 também chegou ao segundo turno, mas novamente não conseguiu quebrar a hegemonia do grupo pepista, ao perder para Roberto Pupin (PP), então vice de Barros. Em 2018, o petista foi reeleito deputado federal com 62 mil votos.

Outros nomes que aparecem nas pesquisas de pré-candidatos: Dr. Batista (PMN), deputado estadual; José Luiz Bovo (DEM), ex-secretário de Fazenda no governo Cida; Wilson Quinteiro (PSDB), advogado e ex-deputado estadual; Eliseu Fortes (Patriotas), ex-procurador-geral do município da atual gestão; e Rogério Calazans (Avante), advogado e empresário. Se a lista se confirmar, Maringá terá o dobro de candidatos a prefeito em relação a 2016, quando cinco nomes disputaram o pleito.

CASCAVEL

Em Cascavel (Oeste), nomes tradicionais podem empurrar a disputa para o segundo turno. Paranhos poderá enfrentar o deputado estadual Marcio Pacheco (PDT), o deputado federal Evandro Roman (Patriotas) e até o ex-prefeito Edgar Bueno (PDT).

Aos 71 anos, Bueno já governou a cidade por três mandatos e passou pela Assembleia Legislativa. Para ser "tetra" prefeito terá parte em busca de novo partido, já que Pacheco é o candidato oficial e o provável candidato da legenda. "Ainda não decidimos, mas existe a possibilidade", informa. Uma legenda que pode abrigá-lo para a disputa é o PSDB, partido do filho, o ex-deputado estadual André Bueno.

Já Roman foi eleito deputado federal em 2014. Em 2018, bateu na trave, mas ficou como primeiro suplente e ocupa na Câmara dos Deputados a cadeira liberada por Ney Leprevost, licenciado para compor a equipe do governador Ratinho Junior (PSD). O deputado de Cascavel já foi secretário de Esportes no governo Beto Richa (PSDB) entre 2011 e 2014. A assessoria de imprensa de Roman confirma que a candidatura a prefeito é considerada "irreversível."

Já a assessoria de imprensa do prefeito Leonaldo Paranhos diz que embora em Cascavel a sucessão municipal esteja se antecipando, o prefeito tem afirmado que "o momento é de trabalhar e não de discussão de campanha eleitoral"'. Paranhos, que é do PSC, partido que já foi controlado por Ratinho Junior (PSD), terá quase certo o apoio do governador.

O policial federal e deputado estadual Márcio Pacheco também assume a pré-candidatura e diz estar com propósito firme para disputar novamente as eleições municipais. Pacheco está no segundo mandado na AL e já foi vereador em Cascavel.Em 2016 disputou a prefeitura pelo PPL e ficou em segundo lugar, com 56.260 votos. "Nas eleições de 2018, fui o deputado mais votado de Cascavel. O grupo político que represento fomenta nossa candidatura; e sinto no dia a dia, junto às pessoas, que esse também é o desejo da acompanha o nosso trabalho", diz Pacheco.

Com a bandeira "metal-agro" pela industrialização, o ex-vereador de Cascavel Nelsinho Padovani (PTB), filho do ex-deputado federal Nelson Padovani, também quer ser prefeito da cidade. "Conversamos com Alex Canziani (ex-deputado londrinense), entrei para o PTB para fortalecer o partido. Em Cascavel, além do agronegócio, queremos atrair a indústria metal-mecânica para alavancar o desenvolvimento industrial", afirma, em entrevista por telefone.

O vereador Paulo Porto (PCdoB) busca unir uma frente progressista na cidade. "Não podemos ficar reféns dos candidatos do Bolsonaro e do Ratinho", diz. Outros nomes em Cascavel são o professor e ex-reitor da Unioeste Marcos Vinicius Pires (PSB) - que já foi candidato a prefeito; o vereador Policial Madril (PMN) - bem votado para deputado em 2018 na esteira do discurso bolsonarista; e o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Cascavel Juarez Berté (DEM). A lista também pode superar a dos candidatos em 2016, quando sete nomes disputaram a prefeitura.

LONDRINA

Em Londrina, a lista é grande e já foi divulgada pela FOLHA em agosto com mais de oito siglas dispostas a entrar na disputa. Os deputados federais Boca Aberta (Pros) e Filipe Barros (PSL) se colocam na lista. O deputado estadual Tiago Amaral (PSB) e o ex-deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) também estão cotados. O grupo do ex-prefeito Alexandre Kireeff (Podemos) ainda testa nomes como o deputado federal Diego Garcia (Podemos), e os empresários Valter Orsi e Marcio Stamm. No PT, o nome colocado é do médico Odarlone Orente, quinto colocado em 2016. Ainda há outros pré-candidatos como André Trindade (Cidadania), que disputou o último pleito. O PSD, partido do governador, também trabalha com foco em candidatura própria e poderá ter o advogado Paulo Valle ou o vereador Felipe Prochet.

ELEITORADO

São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) é o sexto maior colégio eleitoral do Estado, e está a um passo da possibilidade de ter segundo turno. Com 191.729 títulos ativos, o município ainda está no limite da regra eleitoral. Foz do Iguaçu (Oeste) vem em seguida, com 178.563 eleitores.

O alistamento eleitoral e o voto no Brasil são obrigatórios para os maiores de 18 anos e facultativos para os jovens de 16 e 17 anos, para os idosos acima de 70 anos e para os analfabetos. Contudo, para votar em 2020 o eleitor deve estar em situação regular com a Justiça Eleitoral até o mês de maio.

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