O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), reafirmou ontem aos membros da Executiva Estadual do PSDB que desistiu de disputar a reeleição. ‘‘Não é jogada política nem blefe’’, disse o deputado federal José Anibal, ao sair de uma reunião de uma hora no Palácio dos Bandeirantes. ‘‘Viemos apenas nos solidarizar com a decisão que o governador tomou’’, acrescentou o presidente regional do partido, deputado estadual Clóvis Volpi.
Anibal reconheceu que Covas tem divergências administrativas com o governo federal. A gota d’água nos desentendimentos foi a aprovação da Lei Kandir, que resultou em perdas na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) nos Estados. ‘‘A partir de agora a bancada paulista no Congresso vai buscar uma satisfação para este caso’’, prometeu Anibal.
Com a lei de autoria do então deputado Antonio Kandir (PSDB-SP), hoje ministro do Planejamento, São Paulo deixou de arrecadar este ano R$ 800 milhões. A demora para uma solução para a crise do Banespa também teria pesado na decisão de Covas, segundo integrantes da Executiva.
Para José Anibal, a antecipação do debate sobre a sucessão estadual também influenciou na decisão do governador. Ele acha que a campanha deflagrada pelo ex-prefeito Paulo Maluf - virtual candidato do PPB ao Palácio dos Bandeirantes - atrapalha a administração. ‘‘Isso só interessa a quem quer tumultuar o processo’’, declarou o deputado. ‘‘Esses grupos antagônicos procuram prejudicar o povo paulista’’, completou Clóvis Volpi.
Aníbal acredita que o governador não estará ausente da campanha do ano que vem. Segundo ele, Covas tem condições de fazer seu sucessor.

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